Tribuna O recente convite público do PSDB baiano feito ao prefeito ACM Neto, que vem ensaiando voo para deixar o DEM, levou o democrata falar abertamente sobre a possibilidade da sua saída da legenda onde cresceu e fez carreira política liderada pelo ex-senador falecido em 2007, Antônio Carlos Magalhães. Em entrevista a jornalistas presentes no ato em que autorizou o início de obras na orla do Rio Vermelho na manhã de ontem, Neto deixou claro que busca uma legenda com musculatura para 2016 e 2018, mas que nada, segundo o chefe do Executivo soteropolitano, será feito sem que haja um debate dentro do seu partido primeiro e até então único partido. ?É natural que nesse momento, respeitando o calendário eleitoral que impõe que até o início de outubro exista uma definição de filiações partidárias, existam várias especulações. Vários partidos têm especulado. Primeiro, quero dizer que fico, obviamente, lisonjeado de saber que alguns partidos gostariam de me ter nas suas fileiras?, destacou o prefeito, que disse ter ficado feliz com o convite da sigla tucana. ?Nesse momento, existe uma discussão interna no Democratas que precisa ser esgotada. Somente depois de esgotada a discussão é que nós vamos avaliar as possibilidades. Eu fico feliz com a manifestação do interesse do PSDB, existem outros partidos como os quais eu converso permanentemente. Porque são partidos que integram a minha base, mas só vou tomar qualquer decisão dividindo e compartilhando com esse conjunto de lideranças que eu entendo co-responsáveis pela construção de um projeto futuro para Salvador e para a Bahia?, afirmou. Durante a convenção partidária tucana realizada anteontem em Salvador, os deputados federais Antônio Imbassahy e João Gualberto abriram as portas para o prefeito que já teve seu futuro partidário especulado em partidos como o PMDB, PSB, e fusões do PTB com o DEM e do PPS com o PSB. ?Eu lembrei a Neto que ele tem muitas opções, mas primeiro tem o PSDB. Não vou falar o que ele me disse?, brincou o tucano e ex-prefeito de Salvador. ?Se tiver que sair (do DEM), que venha para o PSDB?, reforçou o convite o novo presidente do PSDB, João Gualberto. O presidente estadual do Democratas, o deputado federal José Carlos Aleluia, por sua vez, declarou que torce para que o líder político permaneça no DEM. ?Neto é a principal liderança de nosso partido. A nossa vontade é que ele fique, mas a decisão final é dele?, ponderou o dirigente democrata. Aleluia também voltou a afirmar, como havia dito à Tribuna na semana passada, que as conversas sobre a fusão do DEM como PTB foram retomadas e uma definição pode ocorrer nos próximos dias. ?Houve uma flexibilização quanto à governança?, disse em entrevista à Metrópole FM. Neto, apesar não deixar dúvida que poderá deixar a legenda democrata, apresenta um discurso de que seu futuro depende do partido atual. ?Essas conversas, primeiro, devem acontecer dentro do Democratas. Eu me sinto muito bem onde estou, em casa, no meu partido. Tenho dividido a reflexão sobre o presente e o futuro com as principais lideranças do Democratas, seja da Bahia, seja no plano nacional. Qualquer decisão minha de eventual mudança partidária, caso venha a acontecer, ela só será tomada em comum acordo com o Democratas entendendo o que é o melhor para o projeto?, disse o prefeito. ?Agora, eu quero ter muita calma porque não adianta a gente especular nesse momento em respeito a essa aliança de partidos que dão sustentação ao meu governo. Eu só vou tomar qualquer decisão compartilhando com o Democratas e com esses partidos que integram a minha base, que tanto pode ser de ficar onde eu estou, onde me sinto muito bem, como também poder, caso nós entendamos que é melhor para o futuro, mudar para um outro partido, sendo que uma coisa eu posso garantir: qualquer mudança será feita preservando a coerência, o respeito à história e o compromisso de construir um projeto diferente para o Brasil, para a Bahia e para Salvador?, disse o democrata. Liquidação do partido O ex-ministro de Ciência e Tecnologia do governo Luiz Inácio Lula da Silva, Roberto Amaral, é um dos quadros mais tradicionais do Partido Socialista Brasileiro (PSB) e não corrobora com a ideia de ter em suas fileiras o prefeito de Salvador, ACM Neto, que é cria do DEM e está articulando um novo destino partidário para galgar postos maiores na política estadual e até nacional. Recentemente, o deputado federal e líder do PSB na Câmara dos Deputados, Beto Albuquerque, convidou, segundo a revista Época, o democrata soteropolitano para integrar o time socialista. Antes disso,já havia sido especulada a possibilidade de o prefeito ir para o partido resultante da fusão do PPS com o PSB, mas a articulação perdeu força. Nesse último fim de semana, Amaral, que abandonou a presidência nacional do PSB em outubro do ano passado por não concordar com o apoio dado por seu partido ao então candidato à Presidência da República, Aécio Neves (PSDB), disse que só o ato de convidar Neto para o PSB já se trata de uma deslealdade. ?Trata-se de uma felonia, essa tentativa que, apenas como tentativa, já é uma bofetada no rosto de cada uma e de cada um dos militantes brasileiros e principalmente baianos. Trata-se de desrespeito aos que lutaram na Bahia contra o banditismo e o autoritarismo de ACM, antes, principalmente durante, mas também depois da ditadura?, argumentou o socialista em nota dirigida aos militantes do PSB e publicada em sua página na internet. Amaral sempre defendeu um posicionamento de aliado ao PT, inclusive foi contrário à decisão do partido durante o lançamento de candidatura para presidente no ano passado. No início desse mês de junho, o ex-dirigente foi nomeado pela presidente Dilma Rousseff para o cargo de conselheiro da usina binacional de Itaipu, onde receberá mais de R$ 20 mil por uma função que exige uma reunião a cada dois meses. A tentativa de Albuquerque de levar ACM Neto para o PSB foi interpretada pelo socialista como uma tentativa de destruição do partido. ?Como se vê, permanece forte e poderosa a tentativa de destruir nosso partido, por dentro, revolvendo suas entranhas, manchando sua história, desmoralizando seu projeto, rasgando seu programa, agredindo sua militância. Só a notícia de que ACM foi convidado, já é desgastante. Os liquidacionistas perderam a batalha da fusão, mas prosseguirão até realizar o projeto de acabar com o último partido socialista atuando na política brasileira, se não reagirmos?, diz Amaral, que pede ainda aos militantes que se pronunciem protestando junto à direção nacional ?de sorte a estancar outras iniciativas, pois outras virão?. Ele também citou uma declaração da senadora baiana Lídice da Mata de que ?o ?tampinha? entra por uma janela e ela sai pela porta da frente com toda a militância?. ?Todo apoio aos socialistas da Bahia?, arrematou. O prefeito ACM Neto reagiu ao ataque com ironia ao ser questionado ontem sobre as declarações do socialista. Durante o ato de assinatura da ordem de serviço para início das obras de requalificação da orla do Rio Vermelho, em Salvador, o democrata fez até deboche: ?Eu nem sabia que ele estava mais fazendo política?. O destino partidário do prefeito ACM Neto vem sendo especulado e entre as opções que mais se sobressaem atualmente são o PMDB e o PSDB. Geddel Vieira Lima, presidente da sigla peemedebista na Bahia, já disse que está aberto para conversas. Anteontem, os deputados federais do PSDB Antônio Imbassahy e João Gualberto fizeram o convite ao democrata durante a convenção tucana que elegeu o ex-prefeito de Mata de São João para presidir a legenda na Bahia. (Foto:Reprodução)
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