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Temer classifica de 'crisezinha' rompimento de Cunha com o Planalto

Presidente da Câmara anunciou que fará oposição ao governo Dilma.

20/07/2015 14h34
Por: Redação
G1 Responsável pela interlocução do Palácio do Planalto com o Congresso Nacional, o vice-presidente Michel Temer afirmou nesta segunda-feira (20), em Nova York (EUA), que há uma ?crisezinha? no Brasil após o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), anunciar ?rompimento? com o governo da presidente Dilma Rousseff. Na última sexta-feira (17), Cunha anunciou o rompimento com o governo e disse que passaria a atuar como opositor à gestão Dilma Rousseff. O deputado, porém, disse que a ?relação institucional? não será ?afetada?. A agenda de Temer em Nova York nesta segunda teve um discurso do vice-presidente a investidores. Ele comentou o rompimento de Cunha com o governo ao ser questionado pela repórter Lília Teles, da TV Globo, sobre o tema. A repórter citou o discurso do vice-presidente aos investidores nos EUA, no qual Temer afirmou que o Brasil não enfrenta uma crise política. "Mas a gente sabe que existe ali uma questão. Nesse momento, Eduardo Cunha retirou o apoio ao governo. A sua opinião é bem contrária a de Eduardo Cunha", disse a repórter. Temer, então, respondeu: ?Na verdade, até existe [no país] uma crisezinha política por causa da posição do presidente Eduardo Cunha, mas crise institucional não existe. Quando eu falo na crise institucional e a diferencio da crise política é para revelar que o país vive, de qualquer maneira, tranquilidade institucional, apesar de todos os embaraços?. O anúncio de Cunha de que passaria para a oposição ocorreu um dia após o consultor da empresa Toyo Setal Júlio Camargo, um dos delatores da Operação Lava Jato, afirmar à Justiça Federal do Paraná que o deputado pediu propina de R$ 5 milhões, o que o peemedebista nega. Cunha acusou o Palácio do Planalto de ter se articulado com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para incriminá-lo na Lava Jato. Presidente nacional do PMDB, Temer avaliou também que o momento é de ?pensar no Brasil? e, para ele, os recentes ?incidentes? no cenário político não podem abalar a confiança dos demais países no Brasil. Ao enfatizar que há crise política e não institucional no país, o vice-presidente da República defendeu que o Planalto mantenha o diálogo com o Congresso Nacional. Temer declarou ainda não ter ?preocupação? com o atual cenário e disse acreditar que a crise política será superada ?brevemente?. Assim como a nota divulgada pelo PMDB na sexta, Temer avaliou que a decisão de Cunha foi "pessoal". "Ele [Cunha] até fez questão de registrar esse fato. Posição exclusivamente pessoal, primeiro ponto. Segundo ponto, o partido [PMDB] já se manifestou, dizendo que se trata de uma questão pessoal, podendo vir a ser avaliada, mas não significa o afastamento do PMDB? Significa, sim, o afastamento dele, nada mais do que isso", afirmou. Coordenação política Após a reunião da coordenação política do governo, grupo que reúne a presidente Dilma Rousseff e os ministros mais próximos dela, o ministro-chefe da Secretaria de Aviação Civil, Eliseu Padilha, afirmou que o Palácio do Planalto fará ?tudo ao alcance? para garantir ?relações harmoniosas? com o Congresso Nacional após Cunha anunciar rompimento com o Executivo. "Partindo do pressuposto ou das premissas de qualificação, inteligência e da própria menção do presidente Eduardo Cunha, as relações serão normais entre o poder Legislativo e o Executivo. Nós, do Executivo, faremos tudo o que estiver ao nosso alcance, e o Legislativo também, para que as relações sejam harmoniosas. Agora, isso não significa concordância em 100% daquilo que for objeto de discussão", afirmou Padilha em entrevista no Palácio do Planalto. Ao falar sobre as relações entre o Planalto e o presidente da Câmara e as consequências do rompimento para o segundo semestre, Padilha defendeu ?incrementar? o processo de articulação política do governo e avaliou que Cunha se pautará pelos ?interesses da nação?. Posição de 'magistrado' O ministro da Defesa, Jaques Wagner, também comentou sobre a crise política e a ida de Cunha para a oposição. Ele disse esperar que o peemedebista adote uma posição de ?magistrado? como presidente da Câmara. ?Eu entendo que o deputado fez questão de separar a posição individual da posição de magistrado, que é obrigatória como presidente da Câmara. Ele fez uma manifestação individual, pessoal. Acho até que depois moderou, porque disse que não tem pauta vingativa. O governo quer calma para poder aprovar e governar.? Wagner também negou boatos de que a presidente Dilma pretenda transferi-lo da Defesa para a Casa Civil, hoje comandada por Aloizio Mercadante. ?A gente ouve opiniões aqui e acolá, mas estou muito bem posicionado no Ministério da Defesa. Creio que a presidente não está pensando em nenhuma mudança ministerial. Ninguém tem varinha de condão para conduzir sozinhos. Trabalhamos em equipe, sob a batuta da presidente Dilma. E acho que essa equipe está afinada. E o ministro Mercadante tem prestado um serviço extremamente importante. Como meu nome está envolvido, quero insistir que não vejo nem fumaça [de troca ministerial]?, disse Wagner.
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