O Vitória tem demonstrado, ao longo desta temporada e, principalmente, no início do Campeonato Brasileiro, duas maneiras diferentes de render dentro de campo. Uma quando conta Marinho, outra quando está sem ele. Com o atacante em 15 partidas na temporada, o time alcançou 11 triunfos, com dois empates e somente duas derrotas. Um aproveitamento de 74,8%.
Sem Marinho em campo, o aproveitamento do Vitória cai drasticamente. Ausente do time em sete jogos, o atacante viu de longe a equipe conquistar duas vitórias, dois empates e três derrotas, que correspondem a um rendimento de 38%.
Se considerado apenas o Campeonato Brasileiro, o aproveitamento com Marinho é ainda maior: 77,7% dos pontos buscados. O atacante participou de três jogos, e o Leão venceu dois, contra Corinthians e Internacional, dentro de casa, e empatou um, fora de Salvador, diante do América-MG. Marinho esteve ausente nas derrotas por 4 a 1 contra o Santa Cruz, 1 a 0 para o Flamengo e empate em 1 a 1 com o Atlético-MG. Nesta última sequência, o Leão conquistou apenas 11,1% dos pontos.
Diante de todos esses números, é fácil explicar a razão do desempenho tão superior do Vitória com Marinho. Segundo as palavras do próprio técnico, Vagner Mancini, o atacante é um cara "diferente" - no bom sentido, claro. Em um time com poucas peças para criação de jogadas - na verdade, só Leandro Domingues, que é reserva -, cabe ao atacante a responsabilidade de furar o bloqueio adversário e encontrar espaços com a sua velocidade e drible. Em alguns momentos, Marinho se empolga, prende demais a bola e acaba por fazer o papel de criação e definição.
- O Marinho é um cara diferente. É sempre uma ótima opção. Precisa soltar a bola mais rápido. Mas é peça fundamental quando a gente tem um ataque com ele, com Dagoberto e Kieza. Um é inteligente, outro se movimenta rápido e Marinho tem explosão - disse Mancini após o jogo contra o Internacional.
Marinho consegue aliar a explosão da velocidade com drible em curto espaço e finalização para o gol. Não é apenas correria, nem drible sem chegar a lugar nenhum. Embora com características de jogador de lado de campo, Marinho também entra na área e faz gols. Nos três jogos no Brasileirão, ele marcou duas vezes.
Por outro lado...
Os gols, faltas recebidas e cartões amarelos provocados para os adversários não vêm sem algum preço para Marinho. Por seu estilo de jogo arisco, é fácil ver o atacante se contorcendo de dor após sofrer alguma pancada em campo e, consequentemente, ausente de jogos por lesão. Por isso, das 22 partidas do time no ano, Marinho não jogou sete.
E sem Marinho, as deficiências ofensivas do Vitória ficam mais evidentes. No elenco, Mancini não tem um jogador com as mesmas características. Os atletas com o estilo de jogo que mais se aproxima de Marinho e até poderiam exercer a função dele estão, contudo, muito longe de atravessar o melhor momento individual na carreira, a exemplo de David e Vander.
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