19/08/2016 19h47 Atualizada há 10 anos atrás
Por: Redação Fonte: Manoel Jorge
Para além dos resultados das provas e testes que são feitos pelos nossos filhos e que são aplicados nas escolas, o que os pais mais almejam é que seus filhos aprendam e tenham sucesso na vida. O que eles buscam é sempre a aprovação de seus filhos. Ou não?
Qual o verdadeiro papel da escola? Essa pergunta tem sido debatida exaustivamente pelos educadores, pelos pais e pelos estudantes. Alguns dizem que a escola tem o papel de formar cidadãos críticos e deve sempre estar empenhada em ideais e comprometida com o grupo social a que pertencem.
Penso que a escola não pode basear o seu papel unicamente na preocupação de passar conteúdos historicamente acumulados e nem tampouco se preocupar unicamente com a preparação dos jovens para o mercado de trabalho, ainda que tenhamos a consciência de que vivemos em uma sociedade enlaçada em um sistema capitalista que tem como eixo principal patrocinar o individualismo absoluto. A escola deve ser o espaço de acolhimento onde os estudantes possam assimilar valores e agregar conhecimentos múltiplos.
No município de Mata de São João, tem se travado um debate de bastidores sobre as consequências do índice de aprovação dos alunos do ensino fundamental que segundo muitos, têm promovido a séries mais avançadas alunos que não têm competência para tal promoção. Aqui cabe uma pergunta: o papel da escola é aprovar ou reprovar alunos? Qual é a melhor escola? Aquela que aprova ou o contrário.
Como professor da Rede Municipal, tenho ouvido muitas queixas nesse sentido. Lembro-me que até o ano de 2008, o índice de reprovação dos nossos alunos era altíssimo. Em 2007, o então Secretário de Educação Marcelo Oliveira, coordenou um estudo sobre o índice de absenteísmo dos professores da Rede Municipal, assim como foi feito um estudo sobre o índice de reprovação dos alunos. Tenho na memória que foi diagnosticado um número alto de falta de alguns professores durante o desempenho do ofício, como também um alto índice de repetência dos alunos da Rede. Diante do diagnóstico, o então secretário da educação, em março de 2008, introduziu no município 4 abonos visando resolver tais problemas: abono de assiduidade, índice de aprovação dos alunos, índice de resultado das provas dos alunos e de Formação Continuada dos Professores. Nesse ano, é introduzido na Rede Municipal de ensino o sistema de meritocracia.
Gostaria de chamar a atenção para questão da aprovação e do aprendizado dos alunos. Qual pai, mãe ou responsável que não fica feliz em saber que seu filho foi aprovado no final do ano letivo? O fato de um aluno ter sido aprovado deve refletir o sucesso de um esforço conjunto dos pais, da escola, e do aluno. Todos ficam felizes com a aprovação dos estudantes, não é verdade? Essa não é a função da escola, levar seus alunos ao êxito? Agora, quando o aluno fracassa, é reprovado... de quem é a responsabilidade? Em geral, se culpa o aluno e os pais. Mas sabemos que a reprovação também reflete o fracasso do sistema educacional, que não fez sua parte no processo de educação do estudante reprovado. Quando uma criança é reprovada, toda a sociedade também o é, porque o papel da escola é ensinar e conduzir os estudantes ao êxito.
O que se critica, aqui, é que muitas crianças são aprovadas simplesmente porque alguns professores no intuito de receber um abono de final de ano os aprovam sem que os mesmos estejam capacitados para tal. Quando isso acontece, do aluno não aprender e ser aprovado, atribuem a culpa unicamente aos professores. É aqui que reside o grande erro. Os pais e responsáveis têm a obrigação legal de acompanhar o desempenho dos seus filhos corrigindo suas falhas e ajudando-os a superar suas limitações para que não venham a ser reprovados. Se antes, a culpa de muitos alunos serem reprovados era atribuída aos professores que eram chamados de ruins, hoje, de forma injusta, lhes atribuem a culpa pelos alunos serem aprovados.
Penso que para além de qualquer esforço meritocrático no sentido de gerar índices positivos de aprovação de uma rede de ensino, o que a sociedade deve se preocupar é com o acompanhamento dos seus filhos, não outorgando essa responsabilidade a outrem. Nenhuma escola vai conseguir cumprir o seu papel de ensinar com êxito se toda a sociedade não abraçar a causa da educação. Dentro de todo o sistema, o ente mais fraco e mais vitimado é o aluno. Esse sim, não tem nenhuma culpa do seu insucesso ou sucesso produzido pelos abonos ou pela falta de compromisso de seus responsáveis. O fracasso dos nossos jovens deve ser atribuído ao sistema perverso que não os enxerga como cidadãos, mas como índice estatístico que quando não dão os resultados esperados, são eliminados pela máquina estatal capitalista por meio do desemprego, da violência (extermínio), das drogas...
Cabe ao sistema educacional se esforçar para que todos os estudantes sejam capazes de serem aprovados, mediante um desenvolvimento cognitivo e social que respondam às demandas da sociedade em que estão inseridos. Entre se preocupar com a aprovação e o aprendizado dos alunos ou lavar as mãos achando que nada tem jeito, eu fico com a primeira opção.
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