O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Bahia (Crea-BA) informou, na manhã desta quinta-feira (24), que não há nos registros do órgão nenhuma anotação de responsabilidade técnica sobre a obra na farmácia da rede Pague Menos da Avenida Getúlio Vargas, em Camaçari, onde um incêndio deixou pelo menos nove mortos e 14 feridos na tarde da última quarta-feira (23).
Mesmo assim, uma equipe de fiscalização está sendo enviada até o local para avaliar as condições do imóvel. O Crea-BA também aguarda o laudo técnico do Departamento de Policia Técnica (DPT) para verificar o que provocou o desabamento da laje.
Brigadista da Defesa Civil de Camaçari, Adeval Costa disse ao CORREIO que todo estabelecimento precisa ter um alvará de funcionamento. "Se houve uma obra aqui, eles tinham que ter um outro alvará, o de reforma", disse.
Matos conta que há um mês ele foi consultado para fazer a reforma que acontecia hoje em um mezanino da farmácia. A obra é de manutenção e, segundo ele, envolvia a estrutura do prédio. Ele afirmou que disse aos responsáveis que só iria fazer a obra na condição de o local estar fechado, com somente com seus operários que estivessem trabalhando diretamente no serviço. "Era perigoso", diz. Outra pessoa foi contratada e a obra começou, com os funcionários e clientes no andar de baixo normalmente.
Incomodado com o andamento da obra, Matos contou ao CORREIO que foi na segunda-feira na Defesa Civil de Camaçari para denunciar a situação. Ele disse que no momento não havia um engenheiro para completar seu protocolo, mas que os dados foram anotados e ele foi informado de que o procedimento teria continuidade. O CORREIO tentou entrar em contato com a assessoria da Prefeitura de Camaçari, sem sucesso, para confirmar o recebimento da denúncia.
O motorista Sebastião Pereira Ramos, 65 anos, conta que foi na farmácia hoje por volta das 10h30 e percebeu que havia algo errado. Segundo ele, o local estava cheio, com cerca de 30 pessoas na fila. Quando ele foi pagar sua compra, notou algo estranho. "A gerente da farmácia estava puxando as pessoas para se afastarem da região do fundo, porque estava caindo pingos de fogo da solda no chão. Cheguei a sinalizar que aquilo era perigoso. Por que a farmácia não estava fechada?", questiona.
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