Após pedir demissão do cargo de ministro das Relações Exteriores, José Serra (PSDB-SP) reassumiu nesta quinta-feira (23) o mandato de senador.
Serra estava no Itamaraty desde maio do ano passado, quando Temer assumiu como presidente em exercício. O tucano é senador por São Paulo e tem mandato até 2022. Ele havia se licenciado para assumir o ministério.
Na carta de demissão, enviada na noite desta quarta (22) ao presidente Michel Temer, o tucano disse que decidiu deixar a pasta "em razão de problemas de saúde" – veja a reprodução da carta ao final desta reportagem.
Segundo a assessoria do Palácio do Planalto, Serra entregou pessoalmente a carta de demissão a Temer na noite desta quarta, no Planalto. A exoneração do ministério foi publicada na edição desta quinta do "Diário Oficial da União".
Também nesta quinta, o nome de Serra voltou a aparecer no painel do Senado. A Secretaria-Geral da Mesa Diretora da Casa explicou que o procedimento é automático, uma vez que o senador comunicou à presidência do Senado que iria retomar o mandato.
Trechos da carta
Na carta de demissão, Serra diz que deixa o cargo "com tristeza'. Segundo o ministro, os problemas de saúde o impedem de cumprir as viagens internacionais necessárias ao cargo, além das atividades do dia a dia.
José Serra acrescenta, ainda, que os médicos estimam um período de quatro meses para o "restabelecimento adequado" da saúde.
"Para mim, foi motivo de orgulho integrar sua equipe. No Congresso, honrarei meu mandato de senador trabalhando pela aprovação de projetos que visem à recuperação da economia, ao desenvolvimento social e à consolidação democrática do Brasil", conclui José Serra na carta.
Problemas de saúde
Na carta de demissão, José Serra não especifica os problemas de saúde que enfrenta. Em dezembro do ano passado, o então ministro foi submetido a uma cirurgia na coluna no Hospital Sírio-Libanês.
Além disso, em janeiro de 2014, Serra foi submetido a uma cirurgia na próstata. Ele apresentava um quadro de hiperplasia prostática benigna, quando há aumento do órgão.
Antes disso, em julho de 2013, o ministro foi submetido a um cateterismo. À época, os médicos colocaram no coração dele um stent, mola metálica que expande a artéria e aumenta a capacidade de fluxo sanguíneo.