Enfermeiros de Dias d'Ávila, realizam no inicio da manhã desta terça-feira (10), uma manifestação na Praça ACM, em Dias d'Ávila, para protestar contra uma decisão da 20ª Vara da Justiça Federal de Brasília, que proíbe a classe realizar consultas na qual oferece ao paciente diagnóstico de doenças e a prescrição de exames e medicamentos, bem como o encaminhamento para outros profissionais ou serviços.
A decisão, considerada uma vitória dos médicos que buscam exclusividade das atividades previstas na Lei nº 12.842/2013 (Lei do Ato Médico), atende à ação movida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), que coordena a Comissão Jurídica de Defesa ao Ato Médico.
Na quinta-feira (5), os profissionais que atuam no município foram recebidos (foto abaixo) pelo secretário Municipal de Saúde, Caio Clécio Cardoso, para tratar sobre o assunto. "Nos solidarizamos com a categoria e faremos o possível para evitar descontinuidade do cuidado prestado por estes renomados profissionais", destaca o gestor da pasta.
"Estamos preocupados com a liminar, pois a manutenção desta compromete a continuidade de vários serviços ofertados pela categoria no âmbito da atenção básica", complementa o secretário.
Reunião na Secretária de Saúde de Dias d'Ávila. (Foto: Divulgação/Sesau)
O que diz o Cofen
Na última sexta-feira (6), o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) apresentou à Justiça um pedido para que os profissionais possam voltar a requisitar consultas e exames na atenção básica e a revalidar receitas médicas nos serviços públicos de saúde.
Segundo o presidente do Cofen, Manoel Neri, "atividades são desempenhadas por enfermeiros há 20 anos. Não há dúvida de que a ação tem como pano de fundo apenas a busca por uma reserva de mercado, em detrimento do interesse da população"
Dentro da própria classe médica, o assunto é controverso. A Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) divulgou uma nota em que se diz preocupada com o risco que as limitações poderão provocar para a Estratégia da Saúde da Família.
Diante da proibição, o Cofen recomendou que seus associados interrompam atividades como a solicitação de exames e renovação de receitas médicas até que a situação seja revertida na Justiça. "São tarefas essenciais. Em vários programas a atuação do enfermeiro é crucial", disse Neri.
Como exemplo, ele citou programa para a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. "É grande a atribuição, por exemplo, de enfermeiros no combate à epidemia de sífilis enfrentada no Brasil atualmente", afirmou.
No SUS, enfermeiros também têm uma atuação importante no programa de controle de hipertensão, diabetes e no acompanhamento de mulheres no pré-natal. "O exame para confirmação da gravidez, por exemplo, é solicitado pelo enfermeiro", disse o presidente do Cofen.
Reconsideração
Nessa primeira etapa, o Cofen vai pedir a reconsideração da decisão da Justiça. Caso a estratégia seja mal sucedida, o conselho vai recorrer ao Tribunal Regional Federal. De acordo com o Cofen, a liminar usa como justificativa uma lei que já não está mais em vigor.
Além de representantes de enfermeiros, a decisão da Justiça preocupa as prefeituras. O presidente do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde, Mauro Junqueira, afirmou ao Estado que deve procurar representantes de médicos e enfermeiros para chegar a um acordo. "Enfermeiros têm um papel importante na rede pública de saúde. Uma decisão como essa pode trazer um impacto significativo. Estamos preocupados", afirmou Junqueira.
Na nota, a SBMFC observa que em vários países com sistemas de saúde universal a presença do enfermeiro é essencial. "Entendemos que o caminho da judicialização das profissões em saúde não tem sido proveitoso ao longo da história da construção do SUS, e sempre o maior prejudicado é o usuário", informou a sociedade.
A ação que limita a atuação dos enfermeiros foi interposta pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), sob o argumento de que essas tarefas são atribuições exclusivas do médico. "Permitir que outro profissional exerça tal atividade é colocar em risco a qualidade do atendimento, afirmou o presidente do CFM, Carlos Vital. De acordo com ele, mesmo a renovação de receitas já concedidas deve ser realizada por um médico ou sob sua supervisão. "O que se viu, na prática, é que enfermeiros vinham desempenhando a atividade sem qualquer tipo de acompanhamento", observou.
Cultura Cinco quadrilhas disputam concurso junino neste sábado em Dias d’Ávila
Segurança Camaçari e Dias d'Ávila recebem novas viaturas semiblindadas para reforçar ações da Polícia Civil
Sustentabilidade CT do Bahia, em Dias d'Ávila, recebe certificação internacional por uso de energia renovável
No bairro Bosque Operação da PM apreende drogas e equipamentos do tráfico em Dias d’Ávila
Cidadania Dias d’Ávila realiza cerimônia de Juramento à Bandeira e entrega de Certificados de Dispensa na próxima quarta (8)
Segurança Operação Força Total é iniciada com a presença do comandante-geral da PMBA em Dias d’Ávila