Quem forma um médico? Um engenheiro? Administrador? E um Advogado? Desde que o mundo é mundo o professor é o único profissional que forma todas as outras profissões. É ele que instrui, que ensina as letras e os números, que desperta o raciocínio, que forma as gerações que serão o país de amanhã. É ele a peça chave para o incentivo, realização e aperfeiçoamento de todas as carreiras e atividades. Quanta responsabilidade, hein?
Apesar de tamanha importância, pouco ou nada se faz para que nossos mestres sejam valorizados e recebam salários dignos. Uma pesquisa mostrou que professores com formação universitária ganham pouco mais da metade do que ganhariam outros profissionais com a mesma qualificação e a situação é ainda pior na educação básica da rede pública. A maioria dos estados paga menos do que o piso nacional. É inaceitável que uma pessoa, que escolheu a sala de aula por vocação, paixão pelo ensino, que investiu na carreira, fez mestrado, doutorado e que dedicou a vida para os alunos, receba, entre R$18 e 19 reais por hora de trabalho. Sim, você leu certo. São apenas dezoito reais por hora, enquanto em outras profissões o valor é o dobro, R$ 36.
É, caro leitor, o salário do professor brasileiro está entre os piores do mundo. Um outro estudo, dessa vez elaborado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mostra que a remuneração de nossos docentes está bem abaixo de países com o desenvolvimento semelhante ao nosso, como México, Costa Rica e Colômbia. A diferença é assustadora, revoltante, cruel mesmo. Para se te uma ideia, por aqui um professor da educação básica começa a carreira recebendo o equivalente a 13 mil dólares por ano. Enquanto na Colômbia, um iniciante ganha 14,2 mil dólares, no México 17,2 mil anuais. Já na Costa Rica, o salário é o dobro do nosso, 24,2 mil dólares. Coincidência?
Não é por acaso que digo que o Governo não coloca a educação como eixo central do processo de desenvolvimento do Brasil. É preciso que as autoridades públicas se conscientizem e reconheçam a importância de se reestruturar a rede pública de ensino, de oferecer condições dignas de trabalho e, principalmente, melhores salários para o corpo docente. Sabe por quê? Porque, infelizmente, a profissão está ameaçada. Nossos jovens estão cada vez menos atraídos pela profissão professor. De cem alunos que entram no curso de pedagogia, apenas 51 formam e só 27 tem interesse em trabalhar na área.
Alô senhores governantes, gestores vamos lembrar que o mestre dos mestres precisa de melhores salários. Vamos lembrar que ensinar é um dom e que nascer professor e exercer outra profissão por falta de estímulo é um desperdício daqueles. E que sem educação não há futuro para o nosso país.
Não custa lembrar: professor é quem faz despertar o prazer do conhecimento, do saber pensar, do saber fazer, do saber viver. Vale a reflexão!
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