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Conta de luz fica mais barata em outubro com bandeira verde

Retorno da bandeira verde elimina cobrança adicional, mas uso de aparelhos como ar-condicionado, chuveiro e geladeira ainda pode elevar o consumo

30/09/2026 19h35 Atualizada há 52 minutos atrás
Por: Luana Velloso Fonte: Redação
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A conta de luz terá bandeira tarifária verde em outubro, o que significa que não haverá cobrança adicional associada ao sistema de bandeiras. A mudança foi confirmada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em 25 de setembro, após a melhora das condições de geração de energia, com aumento das chuvas em parte das principais bacias hidrográficas do país e estabilização dos níveis dos reservatórios.

A bandeira verde substitui a amarela, que estava em vigor desde maio e acrescentava R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos. Com a nova condição, o consumidor deixa de pagar esse adicional, mas a tarifa de energia e o consumo registrado pelos equipamentos permanecem. Por isso, a ausência da cobrança extra não significa que todos os consumidores terão necessariamente uma redução expressiva no valor final da fatura.

Entre os equipamentos que podem contribuir para uma conta mais alta estão ar-condicionado, chuveiro elétrico, air fryer, forno elétrico, geladeira, ferro de passar, computadores e consoles de alto desempenho e micro-ondas. O impacto de cada aparelho depende principalmente da potência e do tempo de utilização, dois fatores que determinam o consumo de energia elétrica.

O ar-condicionado exige atenção especialmente quando permanece ligado por várias horas. A temperatura selecionada também interfere no funcionamento do equipamento: quanto maior a diferença entre a temperatura externa e a programada, maior pode ser o esforço necessário para manter o ambiente refrigerado. O Inmetro disponibiliza tabelas de eficiência energética que permitem comparar modelos e verificar o consumo informado para os aparelhos, inclusive entre equipamentos com tecnologia inverter e modelos convencionais.

O chuveiro elétrico também está entre os aparelhos de maior potência em uma residência. O consumo aumenta quando o equipamento é utilizado por períodos prolongados e em temperaturas mais elevadas. A redução do tempo de banho e a utilização de temperaturas menos altas são medidas que podem diminuir o gasto. Dados do Ministério de Minas e Energia mostram que potência e tempo de uso precisam ser considerados em conjunto para avaliar o impacto de cada equipamento na conta.

Air fryers e fornos elétricos também merecem atenção porque trabalham com potências elevadas para produzir calor. O uso diário e prolongado pode aumentar o consumo mensal, especialmente quando combinado com outros equipamentos de alta potência. A mesma lógica vale para o ferro de passar: embora o aparelho seja utilizado por períodos menores, sua potência pode resultar em consumo relevante quando usado com frequência.

Na geladeira, o tempo de funcionamento é um fator importante, já que o equipamento permanece ligado continuamente. Modelos antigos ou menos eficientes podem consumir mais energia do que equipamentos atuais. O Inmetro mantém um sistema de consulta que permite verificar o desempenho energético de diferentes refrigeradores e comparar modelos de acordo com características como capacidade e consumo.

Computadores e consoles de alto desempenho também podem representar parcela significativa do consumo quando permanecem ligados durante muitas horas. O impacto varia conforme a configuração do equipamento, a potência utilizada e o tempo de funcionamento. Já o micro-ondas, embora normalmente seja utilizado por períodos curtos, apresenta potência elevada durante a operação. O consumo em modo de espera é menor, mas pode ocorrer enquanto o aparelho permanece conectado à tomada.

O sistema de bandeiras tarifárias foi criado pela Aneel em 2015 para sinalizar aos consumidores as condições de geração de energia e os custos variáveis associados à produção. A bandeira verde indica condições favoráveis e não acrescenta valor à tarifa; a amarela representa condições menos favoráveis e prevê cobrança adicional; enquanto as bandeiras vermelhas correspondem a cenários de geração mais custosos.

A mudança para a bandeira verde em outubro está relacionada à transição entre os períodos seco e úmido e ao aumento das chuvas, especialmente nas regiões Sul e Sudeste. Segundo a Aneel, a melhora dos níveis dos reservatórios permite reduzir o despacho de fontes de geração mais caras, como as termelétricas, evitando a cobrança adicional vinculada à bandeira tarifária.

Com a bandeira verde, portanto, a conta de energia deixa de ter o acréscimo aplicado nos meses anteriores, mas o valor final continua diretamente relacionado ao consumo de cada residência. A escolha de equipamentos mais eficientes, a redução do tempo de funcionamento e o controle do uso de aparelhos de maior potência são medidas que podem ajudar a manter a fatura sob controle mesmo em períodos sem cobrança adicional. O Inmetro recomenda a consulta à etiqueta de eficiência energética na escolha de eletrodomésticos, enquanto órgãos do setor elétrico reforçam que potência e tempo de uso são determinantes para o consumo.

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