A prorrogação, por mais 90 dias, da suspensão de multas e outras sanções relacionadas ao descumprimento das regras da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) dá às empresas um novo prazo para adaptar processos e incorporar a gestão dos riscos psicossociais à rotina de trabalho. A decisão foi tomada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que estendeu o período de suspensão, inicialmente previsto para terminar em 23 de setembro, durante uma tentativa de conciliação entre entidades empresariais e o governo.
O cenário ainda é de adaptação para parte das organizações. Um levantamento realizado pela consultoria Heach no início de 2026 apontou que 68% das empresas consultadas afirmavam não compreender completamente as novas exigências da NR-1. Outros 58% disseram adotar medidas somente quando surgem situações consideradas críticas. Os dados indicam a necessidade de ações permanentes de acompanhamento e prevenção relacionadas às condições de trabalho.
Na Braskem, iniciativas voltadas à saúde e ao bem-estar dos trabalhadores começaram antes das mudanças regulatórias. Em 2022, a companhia iniciou a implantação de um Programa Global de Saúde Integral e Bem-Estar, posteriormente incorporado à estratégia de Saúde Integral da empresa. A estrutura inclui mecanismos de escuta e monitoramento, além de um fluxo para avaliação e acompanhamento de transtornos mentais e comportamentais.
Entre as ferramentas utilizadas estão o Check-in, criado para identificar como os trabalhadores chegam ao ambiente profissional, e o Termômetro do Bem-Estar, que avalia percepções sobre a relação entre trabalhadores, lideranças e organização. A empresa também utiliza um questionário desenvolvido pelo Health and Safety Executive (HSE), do Reino Unido, para avaliar diferentes dimensões dos riscos psicossociais. Os dados são considerados na elaboração de uma matriz de risco que analisa a probabilidade e a severidade dos fatores identificados.
A preparação também inclui capacitação de profissionais e revisão de processos. Ao longo de 2025, foram realizadas turmas voltadas à saúde mental no trabalho e à NR-1, com o objetivo de ampliar o conhecimento das equipes sobre os conceitos e práticas relacionados ao tema. Para o médico especialista em Medicina do Trabalho e gerente de Saúde da Braskem, Eduardo Ferreira Arantes, a mudança exige que a saúde mental seja incorporada às decisões e aos processos das organizações.
“Mais do que responder a uma exigência regulatória, esse momento exige que as organizações desenvolvam capacidades para incorporar o tema à sua gestão. Por isso, temos fortalecido a capacitação das equipes e revisado processos de formação e certificação. Esse movimento contribui para que a saúde mental esteja cada vez mais integrada à nossa maneira de operar”, afirma.
Segundo Arantes, a prevenção também envolve identificar condições que podem contribuir para o adoecimento e atuar sobre elas, com medidas como ajustes de prazos, redistribuição de demandas e revisão de processos. A preparação das lideranças para reconhecer sinais de sobrecarga também faz parte desse trabalho. Na Braskem, ações de conscientização, psicoeducação e acompanhamento da saúde dos trabalhadores são complementadas pelos Comitês de Saúde Integral, que reúnem lideranças e trabalhadores. “A saúde mental deixa de ser discutida apenas quando alguém adoece e passa a ser considerada parte das condições necessárias para que as pessoas possam trabalhar, se desenvolver e permanecer saudáveis”, destaca Ana Luiza Salustino, gerente de Pessoas e Organização da Braskem no Nordeste.
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