A montagem dos camarotes nos principais circuitos do Carnaval já denuncia: falta pouco mais de 30 dias para o início do Carnaval, e a capital baiana, pouco a pouco, já se prepara para o evento mais esperado do ano.
O folião, sobretudo o que prefere curtir festa na pipoca, também já pode começar a se programar. Em 2018, cerca de 70% dos trios independentes deverão desfilar no circuito Osmar (Campo Grande).
As atrações, que ainda estão em fase de contratação, serão distribuídas nos três últimos dias da festa momesca. A iniciativa, segundo a prefeitura, tem o intuito de revitalizar o Carnaval no centro da cidade, que, há pelo menos seis anos, sofre com o esvaziamento nos principais dias de folia.
A resolução teve como parâmetro pesquisa qualitativa inédita, encomendada pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult), que visa subsidiar estratégias de comunicação e buscar soluções para a festa.
O estudo, realizado pela empresa Dataqualy em setembro deste ano, reuniu opinião de foliões pipoca, de blocos, de camarote e ex-foliões de bloco, entre 18 e 45 anos de Salvador, de estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Brasília e de outros países.
'' É uma forma de dar uma nova vida ao Carnaval do centro '', afirmou o secretário Cláudio Tinoco.
Na pesquisa, a maioria dos foliões entrevistados apontou uma preferência pela festa do circuito Dodô (Barra), devido, sobretudo, à falta investimentos em atrações de “peso” na avenida.
A pesquisa mostrou, ainda, um maior interesse dos participantes pelas apresentações gratuitas, que se apresentam fora dos blocos.
Diante do resultado, o Campo Grande deve ganhar, no próximo ano, o status de “circuito oficial da pipoca”: “É uma forma dar uma nova vida à festa do centro da cidade e de atrair grandes atrações da música baiana para o circuito”, afirmou o titular da Secretaria de Cultura, Cláudio Tinoco.
A ideia, segundo ele, é equilibrar o volume de atrações que atraiam o público nos dois circuitos principais – Dodô e Osmar. A medida visa evitar o esvaziamento do Campo Grande no domingo, segunda e terça-feira de Carnaval, quando as estrelas da axé music desfilam, majoritariamente, no circuito Barra-Ondina.
Atrações
Na opinião do presidente do Conselho Municipal do Carnaval (Comcar), Pedro Costa, reunir a maioria dos trios independentes no Campo Grande é uma forma de “atualizar” o primeiro circuito oficial da festa.
“Na quinta e sexta-feira de Carnaval, todos os holofotes estão voltados para o centro, então, não podemos dizer que se trata de um circuito completamente esvaziado, sem público. Porém é preciso qualificar o espaço da avenida para que o folião se sinta tão confortável quanto na Barra, que já conta com um atrativo natural, que é o fato de estar próximo ao mar”, afirmou Costa.
O presidente do Comcar defende, ainda, a preservação da avenida como um espaço que abrigue uma festa “mais cultural”. “Trata-se do circuito mais tradicional, então é importante, além de priorizar a pipoca, continuar garantindo espaço dos blocos de matrizes africanas, de índio, entre outros, que são parte da história da nossa festa”, disse.
Para o publicitário e pesquisador do Carnaval Nelson Cadena, a experiência poderá ser positiva do ponto de vista da recuperação do Campo Grande como circuito tradicional. No entanto, segundo ele, é necessário garantir a contratação de atrações populares, que levem o público para o circuito.
“É importante que os governantes tentem soluções para a revitalização deste espaço, no entanto é preciso contratar atrações populares, que, de fato, chamem o público ao local da festa. É preciso investir no que o folião aprova e não somente em quantidade de atrações”, afirmou Cadena.
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