A primeira lembrança que eu tenho da estrada que liga Dias D'Ávila à Mata de São João é de um passeio em família que fizemos para o sítio de um amigo do meu pai na zona rural da cidade. Lembro das curvas, da vegetação e da mudança do asfalto para estrada "de chão". Aquele era um lugar desconhecido, que me fazia sentir perdida.
Anos depois, comecei a trabalhar na cidade. E passei um ano e meio fazendo aquele percurso todos os dias, de segunda a sexta, e as vezes no final de semana também. Me familiarizei tanto com cada pedacinho do caminho, que já não mais me sentia perdida. Estava sempre encontrada. Por mais curvas que tivesse a estrada, eu já sabia se depois delas viriam casas ou vegetação.
Após me acostumar, senti vontade de desbravar novos percursos. E me despedi dos caminhos "matenses", em busca de novos trajetos na capital. No início, era tudo, mais uma vez, desconhecido. Mas aos poucos fui me encontrando e aprendendo a criar meus próprios caminhos.
Hoje me sinto em casa em tantos lugares que sei que para qualquer lado que eu vá, encontrarei um lar. Cada caminho guarda uma memória, uma história, um sentimento, aprendizado. Mas todos eles passam a mensagem de que não devemos parar. Devemos sempre seguir. Não importa se o caminho é de ida ou retorno. O que vale é o movimento e o desejo de desvendar sempre o que há depois da curva.