O assassinato do cabo da Polícia Militar da Bahia (PM-BA), Gustavo Gonzaga da Silva, 44 anos, trouxe grande tristeza para a tropa. O sentimento foi externado pelo comandante de Operações da PM, coronel Paulo Uzêda, em entrevista ao apresentador José Eduardo, na manhã desta segunda-feira (11). O crime aconteceu na madrugada de sábado (9), no bairro de Santa Cruz, em Salvador.
“Uma tristeza muito grande. Abate nossa tropa toda. No sepultamento, nós pudemos ver o quanto o cabo Gonzaga era querido. [...] Realmente, um fato que entristeceu toda tropa”, disse na Rádio Metrópole.
Segundo o coronel, já existe uma linha de investigação, comandada pelo coordenador da força tarefa que investiga a morte de policiais baianos, Aldair Carneiro.
“Existe uma preocupação muito grande. Há muito tempo temos o doutor Aldair cuidando desses casos envolvendo policiais. Já tem uma linha de investigação dos autores que estão foragidos. Algumas atuações foram feitas no Nordeste de Amaralina, um foi a óbito em situação de confronto. Temos que acalentar nossa tropa, nosso efetivo todo. Não podemos agir com o coração. Temos que ter a razão, agir no cerne da questão, com a lei debaixo do nosso braço. A polícia, é chavão antigo, mas que vale muito, é a ultima linha de defesa entre a legalidade e a barbárie. A sociedade baiana clama porque foi um crime muito cruel, o requinte de perversidade é o que mais magoa a tropa. Muito embora não tenha havido extração de órgãos como alguns que querem disseminar o caos, postando fake news. Não existiu nada daquilo”, detalha.
O coronel também comentou sobre o compartilhamento de um vídeo por meio do aplicativo WhatsApp e publicado em redes sociais, no qual, supostamente, o policial aparece pedindo para não ser morto. “A filmagem a gente não sabe porque foi feita por marginais, pode estar guardada em algum celular, pode inclusive fazer corpo de prova contra eles [autores do crime] mesmos. O crime em si de é de uma crueldade imensa”.
Ainda segundo o coronel Uzêda, o cabo Gonzaga “confiava muito no fato de ter nascido e ser criado na região do Nordeste” de Amaralina. “Ele estava com um amigo no bar, os elementos chegaram, depois houve uma discussão, não se sabe o motivo, e aí passaram a agredi-lo e culminou com a morte dele, triste e cruel. Muitos disparos e alguns cortes”.
Na oportunidade, o representante da Polícia Militar defendeu uma lei penal mais rígida. “Precisamos de leis mais duras, com mais certeza de que esses delinquentes não vão sair da cadeia. Pressionar o poder legislativo a criar condições com endurecimento da lei. O bandido não pode estar tão protegido como a nossa lei protege”, defendeu.
E continua: “ainda mais esse caso, não é um crime contra o cidadão. É um crime contra o Estado. Pode ter outros motivos, mas o principal motivo foi por causa da função dele, porque ele é policial. O que a gente mais busca hoje é solução para essa questão de que não é o Judiciário que solta. O juiz faz exatamente o que a lei determina”, explica.
O crime e o sepultamento
O cabo Gonzaga foi morto a tiros no bairro da Santa Cruz, em Salvador, na madrugada deste sábado (9). De acordo com a PM, o crime ocorreu no fim de linha da localidade, quando o carro em que o policial estava foi cercado por bandidos que fizeram disparos contra ele. A vítima reagiu, mas acabou alvejada e não resistiu aos ferimentos. Ele morreu no local do crime.
Gonzaga foi sepultado na manhã deste domingo (10), no cemitério Campo Santo, na capital baiana. O ato fúnebre foi acompanhado por familiares, amigos e centenas de policiais - civis e militares -, consternados com a perda. Durante o sepultamento, os presentes no cortejo entoavam orações e o hino da Polícia Militar, interrompido apenas por uma salva de tiros.
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