O óleo que atingiu as praias da Bahia foram percebidos também na Praia do Forte e Praia de Santo Antônio, no litoral de Mata de São João, nesta terça-feira (8). No fim da manhã de hoje membros do Projeto Tamar identificaram o óleo na Praia do Forte.
“Por volta de 10h30, encontramos pequenas pelotas de óleo lá. É pequeno, mas tem. Isso está sendo mudado a cada momento. Hoje de manhã, não tinha nada. Quando fomos de novo, já tinha mudado”, afirmou o engenheiro de pesca do Projeto Tamar, César Coelho.
O material foi identificado pela Petrobras como petróleo cru - Foto: Divulgação
Devido a presença do material – identificado pela Petrobras como petróleo cru - não foi necessário mudar a rotina de soltura dos filhotes de tartaruga na Bahia, já que as manchas ainda são muito pequenas.
O período de desova vai de setembro ao início do próximo ano. Em geral, os filhotes nascem até abril, porque os ovos levam de 45 a 60 dias para eclodirem. Na Bahia, em todo o ano passado, foram registrados oito mil ninhos.
A coordenadora de licenciamento e fiscalização ambiental da prefeitura de Mata de São João, Yuka Fujiki, informou que as manchas foram encontradas nos dois pontos após a subida da maré. Segundo ela, na Praia do Forte, a maioria das manchas foi encontrada após a região onde fica o Tamar, já nas proximidades da Praia do Lorde.
Devido à situação em toda a região Nordeste, a prefeitura acionou o Ibama e o Inema. “O IBAMA está à frente das ações fiscais por envolver diversos estados, inclusive qualquer atividade de remoção do óleo deve ser acompanhada pela equipe do IBAMA, por isso nós do município estamos em prontidão, aguardando as orientações a serem seguidas", informa o sub-prefeito do litoral, Hélio Viana.
Envenenamento
As primeiras manchas do óleo começaram a aparecer no início de setembro, em Pernambuco. No entanto, em poucos dias, a mancha se espalhou nos outros estados - o último foi justamente a Bahia. Segundo a Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), não há registro de casos de atendimento nas unidades de saúde devido ao contato com a substância. Mesmo assim, o manuseio não é recomendado por especialistas – o ideal é usar luvas.
De acordo com o professor Francisco Kelmo, diretor do Instituto de Biologia da Universidade Federal da Bahia (Ufba), quem se alimentar de peixes e mariscos que ingeriram o óleo corre riscos de envenenamento – desde uma reação alérgica até algo mais grave.
Se for alguém que tem uma pele muito sensível, o simples contato pode desencadear uma alergia na pele.
“O problema é que, quando você entra na água, pode engolir ou respirar. O petróleo cru é de difícil digestão. Uma vez dentro do organismo, ele começa a se partir, se fragmentar. Embora não seja digerido, o acúmulo nos tecidos pode causar algum problema”, diz Kelmo.
As consequências podem variar de pessoa para pessoa, além da quantidade do material. “Por isso, a recomendação é geral: não pegue e não se alimente de mariscos e peixes que tiveram contato com o óleo”, reforça.
Quatro pesquisadores do Instituto de Biologia da Ufba devem viajar, nesta quarta-feira (9), até os municípios baianos afetados pelas manchas de petróleo para auxiliar o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) nas investigações do problema.
Mistério
A origem da substância ainda é um mistério. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), divulgou o mesmo balanço divulgado no domingo (6). No documento, o órgão informa que o óleo é petróleo cru e já foi encontrado em 132 localidades, em 61 municípios da Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Maranhão. Até agora, 11 tartarugas adultas e uma ave foram localizadas machucadas ou mortas por conta do contato com a substância.
O Ibama afirmou também que vem estabelecendo uma série de ações com o objetivo de investigar o despejo do petróleo e que requisitou apoio da Petrobras para atuar na remoção da substância.
Já a Marinha informou abriu um inquérito administrativo para apurar a situação. Em todo o Nordeste, 1583 militares, cinco navios, uma aeronave, além de embarcações e viaturas pertencentes às diversas Capitanias dos Portos, Delegacias e Agências, têm atuado na operação.
Todo o material coletado pela Marinha está sendo analisado pelo setor de Geoquímica Ambiental do Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira. Assim como o Ibama, a Marinha também destacou que trata-se de petróleo cru.
"Para a elucidação dessa ocorrência inédita, que atinge grande parte de nosso litoral, a Diretoria de Portos e Costas conduz um Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação (IAFN). Nesse processo, são analisados os dados do tráfego marítimo na área, as informações de patrulha de navios e aeronaves da MB, simulações computacionais sobre as influências de corrente no Atlântico Sul e análise dos perfis químicos dos resíduos coletados", informou a corporação.
Ainda de acordo com a Marinha, todas as medidas estão sendo adotadas em parceria com o Ibama, ICMBio, Polícia Federal, ANP, Petrobras e Força Aérea Brasileira, além de entidades governamentais e privadas dos estados e municípios afetados.
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