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Entretenimento Após novela das 9

'Sob Pressão' retrata drama da covid em episódios especiais

Em hospital de campanha, médicos da série vão atender vítimas de covid

06/10/2020 08h48
Por: Keila Abreu Fonte: Correio 24 Horas
Reprodução/Desconhecida
Reprodução/Desconhecida

Sempre conectada com a realidade, a série Sob Pressão retorna agora em dois episódios especiais dedicados à covid, que serão exibidos nos dias 6 e 13 de outubro. Desta vez, a equipe médica da rede pública vai atuar em um hospital de campanha, onde receberão pacientes contaminados pelo coronavírus.

O autor Lucas Paraízo diz que a pandemia e a crise sanitária eram assuntos inevitáveis na série, já que Sob Pressão está sempre em diálogo com a realidade.”Isso faz com que o público tenha um olhar diferenciado para esses profissionais de saúde. Foi nisso que nos debruçamos de alguma maneira: permitir que o público sinta a experiência de quem atua na linha de frente do combate ao vírus”.

Sob Pressão - Plantão Covid se passa entre abril e maio deste ano, quando a pandemia estava em seus primeiros meses - o primeiro caso registrado no país foi em 26 de fevereiro. Cerca de 90% das cenas acontecem no hospital de campanha cenográfico montado para a série, com 32 leitos de enfermaria e 12 em um CTI (Centro de Terapia Intensiva).

Os episódios especiais têm a mesma equipe da última temporada e ganhou mais dois reforços: David Junior vive o neurocirurgião Mauro e Roberta Rodrigues é a enfermeira Marisa.

Em Sob Pressão - Plantão Covid, Carolina (Marjorie Estiano) e Evandro (Julio Andrade), depois de passarem um tempo em uma missão humanitária no interior do Brasil, são convocados às pressas por Décio (Bruno Garcia) e voltam para o Rio de Janeiro, onde vão trabalhar em um hospital de campanha montado para receber pacientes com covid.

Plantão Covid também vai mostrar o passado de Evandro e como nasceu sua vocação para a medicina. Em um flashback, o personagem é representado por  Ravel Andrade, que é irmão de Julio Andrade. 

Como surgiu a ideia de fazer uma edição especial de Sob Pressão?

Quando a pandemia começou, estávamos escrevendo a reta final da quarta temporada. Naquele momento, a gente resolveu esperar. Até que começamos a nos perguntar como abordaríamos a pandemia do coronavírus dentro da nossa história. Uma opção era colocar no começo da quarta temporada e a outra opção era fazer algo isolado. Optamos pela segunda, fazendo um especial. No momento em que decidimos por esses dois episódios, minha intenção como autor era tentar fazer duas coisas diferentes: ao mesmo tempo em que queríamos dar ao público o ‘Sob Pressão’, algo que eles conhecem, queríamos ousar com uma brecha temática – e uma edição especial nos possibilita isso ainda mais. Foi aí que decidimos usar o flashback, mostrando como Evandro decidiu ser médico. A segunda coisa importante para nós era nos distanciarmos do jornalismo. Queríamos dar um olhar diferente, levar uma visão mais humana, tendo um pouco mais de parcialidade na condução das histórias.

‘Sob Pressão’ retrata as questões da saúde pública do país. A cada temporada, temas relevantes são tratados e geram debate / ações de conscientização. A edição especial, além de tratar da pandemia da Covid-19, é também uma homenagem aos profissionais de saúde que atuam na linha de frente contra essa doença. Fala um pouco sobre isso?

 

‘Sob Pressão’ é uma série que facilmente incorpora os problemas da saúde pública do Rio de Janeiro e do Brasil. A série é caracterizada por isso. Muitas das histórias que vimos acontecer recentemente, colocamos dentro da trama. Era inevitável que fizéssemos isso quanto à Covid. No nosso hospital, a gente tem um pilar muito importante que são os familiares dos pacientes. Como os hospitais de campanha tem como característica não poder receber visita, de alguma maneira direcionamos nosso ponto de vista. Os pacientes são personagens, como sempre são, mas todos os profissionais de saúde têm história nesta edição especial, todos são protagonistas. Foi uma forma que encontramos de homenagear essas pessoas que trabalham, na vida real, no enfrentamento desse vírus. Jogamos uma lupa nesses personagens e encontramos assim uma forma de homenageá-los.

Você escreveu a edição especial em um momento em que tudo sobre o vírus ainda era muito novo. Trazer essa realidade para a história tornou esse ambiente mais fértil? A criação da trama e a realidade se misturando dão mais argumentos para contar essa história?

Nosso compromisso é jamais enganar o espectador sobre uma doença para emocionar. A gente sabia, por exemplo, que não ia conseguir dar uma resposta final sobre vacina. Por isso, localizamos a obra no início da pandemia. Na trama, não afirmamos que a vacina é a única salvação possível. Falamos de distanciamento social, tratamento, cuidados.

Em forma de dramaturgia, ‘Sob Pressão-Plantão Covid’ vai ser mais um registro histórico desse momento que estamos vivendo. Realizar e colocar a obra no ar, neste momento, era importante para você? 

Muito. Eu, particularmente, nunca tive dúvidas de que a gente tinha que colocar essa pandemia, essa crise sanitária na nossa história, exatamente pela conexão, pelo diálogo que a série tem com a realidade. E, principalmente, porque isso faz com que o público tenha um olhar diferenciado para esses profissionais de saúde. Foi nisso que nos debruçamos de alguma maneira: permitir que o público sinta e viva a experiência do médico. Trabalhei durante dois meses com uma equipe muito talentosa, todos incansáveis nas discussões, no rigor, na responsabilidade em não transmitir nenhuma informação errada. ‘Sob Pressão’ é uma série que pretende unir, que dialoga com todo mundo. Tentamos trazer a possibilidade de ressignificar um pouco nossa visão através de uma doença. O que a pandemia permitiu em larga escala, para o mundo, a gente faz no nosso grãozinho, com a série.

Você acha que a forma de se comunicar com o mundo muda, a partir de agora?
Se a gente for falar da execução de um projeto, vou ter que fazer alguns tipos de acordos com a realidade para que eu possa desenvolver a história de um jeito possível e que emocione as pessoas. Mas acho que isso seria a médio prazo, um ano ou dois. Por outro lado, em relação às histórias, já tivemos outras catástrofes lá atrás, mesmo que a nossa geração esteja vendo isso pela primeira vez. As histórias não se transformaram e nem deixaram de ser contadas. Acho que a estrutura de contar histórias não muda, mas se adapta. O storytelling é um polvo que vai se adaptando de acordo com a janela: posso falar a mesma coisa de jeitos diferentes, pensando em cada tela.

Ser realista é uma característica muito marcante de ‘Sob Pressão’. Para você, qual a importância deste projeto?
Eu acho que ‘Sob Pressão’ traz uma ressignificação do olhar, do comportamento e tenta resgatar os valores básicos do ser humano. Você aprende a olhar para o outro e para si mesmo. E aprende que nos pequenos gestos, consegue algum tipo de transformação. Hoje a gente fala da importância de lavar as mãos, de se alimentar bem, de fazer atividade física. ‘Sob Pressão’ está batendo nessa tecla há muito tempo. Quando falamos de fome, de violência doméstica, de violência urbana, estamos mostrando para as pessoas que aquilo que eles estão vivenciando com os personagens faz parte da vida de todos nós e que pequenos movimentos podem transformar a sociedade em que a gente vive. Seja com doação de sangue, seja com doação de órgãos. Temos muitos espaços onde permitimos que o espectador ressignifique a sua lógica. É isso o que temos a oferecer.

Na sua opinião, qual a principal mensagem que esta edição especial passa?

 

De que devemos olhar o mundo coletivamente, tentando fazer a nossa parte com uma redistribuição de valores – não só renda, mas morais. Não devemos olhar o outro como nosso funcionário ou nosso médico. Somos pessoas e estamos, nas nossas especialidades, nos ajudando. Eu fiquei muito impressionado no começo da pandemia com a disposição das pessoas em ajudar. E isso aconteceu em todas as etapas da pirâmide. Vi gente pobre e gente rica doando. É claro que nesse meio do caminho tem um monte de gente que não está preocupado, mas vi esse caráter coletivo, doador e do bem.

 

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