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Documentário da Netflix dá uma ideia da grandeza de Pelé

Rei chora ao se lembrar das conquistas das copas de 58 e 70

23/02/2021 16h00
Por: Maryane Meira
Reprodução
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Está na Netflix o documentário Pelé. O Rei do futebol dá um longo depoimento, entremeado por entrevistas de jogadores que atuaram com ele, como Clodoaldo, Rivellino e Jairzinho. Há ainda a participação de Fernando Henrique Cardoso, Juca Kfouri e outras pessoas que dimensionam a importância de Pelé.

Mas bom mesmo é ver o melhor de todos os tempos relembrando seus grandes momentos, falando sobre responsabilidade que ele sentia carregar, sendo ídolo em um país que tinha tão poucas alegrias e o futebol provavelmente era o responsável por boa parte delas. 

É emocionante ver um homem aos 80 anos, já consagrado e reconhecido em todo o mundo, chorar como um menino ao falar de suas vitórias.

O documentário, uma produção britânica, embora exalte o Atleta do Século, às vezes cria um certo desconforto a ele, quando, por exemplo,  questiona sua relação com a ditadura militar. Há imagens mostrando Pelé em uma visita a Médici, o presidente que governou o país no período mais duro da ditadura. 

Há quem compare a atitude do Rei a Muhammad Ali, o pugilista negro americano que se recusou a ir para a Guerra do Vietnã e enfrentou o governo americano. “Mas Ali sabia que ao ser preso não corria risco de ser torturado. Pelé não tinha essa garantia”, alerta Juca Kfouri.

Pelé também fala sobre algumas questões pessoais, como o casamento com Rose, sua primeira esposa, e assume que a traiu. Mas diz que nunca escondeu dela os casos extraconjugais que teve.

Claro que há também os lances memoráveis do Rei, mas nada de surpreendente. Estão no filmes os momentos emblemáticos, como o milésimo gol e o discurso no NY Cosmos, quando Pelé disse “Love, love, love” e virou verso da canção de Caetano Veloso.  

É um filme necessário para dar aos brasileiros mais jovens uma ideia da grandeza de Pelé e de como ele leva a imagem do Brasil para o mundo. E o Brasil precisa idolatrar Pelé. Como já disse Silvio Almeida, autor do livro Racismo Estrutural: “Se perece o corpo místico de Pelé, perecem também as potencialidades e as possibilidades do Brasil enquanto nação. Então, a desvalorização do que significa o Pelé é desvalorizar também as potencialidades do Brasil de ser melhor do ele realmente é”. 

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