O diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, disse nesta terça-feira que as declarações do presidente Jair Bolsonaro contra as vacinas "vão contra tudo o que a agência tem preconizado". "Entendemos que a política de vacinação é essencial", afirmou o dirigente, durante depoimento à CPI da Covid, no Senado.
"O meu empenho é que as pessoas briguem para se vacinar e busquem as vacinas a todo custo", afirmou Torres, ao ser questionado sobre sua visão acerca da vacina obrigatória.
O presidente da Anvisa disse temer que uma eventual lei obrigando a vacinação prejudique uma campanha mais consistente de convencimento. "Aquilo que é imposto, as pessoas não aderem", afirmou.
Aglomeração
Barra Torres admitiu que se arrependeu de ter participado, em março do ano passado, de uma aglomeração promovida por Bolsonaro em frente ao Palácio do Planalto.
"Não refleti sobre a imagem que isso passaria; depois disso nunca mais tive esse tipo de comportamento", afirmou.
De acordo com o dirigente, a conduta de Bolsonaro em relação ao uso de máscaras difere da dele. "As manifestações que faço têm sido baseadas na ciência", completou.
Patentes
Barra Torres afirmou à CPI que é favorável a uma suspensão de patentes de vacinas contra covid-19, desde que o país demonstre capacidade técnica para reproduzi-la.
“Para uma patente ser quebrada, precisa ter um objetivo. A vacina da Pfizer, de altíssima tecnologia, o Brasil não domina essa tecnologia. Faz sentido quebrar essa patente? Não faz” apontou.
“Em termos humanistas, se há possibilidade de determinado país quebrar uma patente produzir vacina e salvar pessoas, como médico e ser humano, não vejo por que não. Mas isso não é tema regulatório e não há posição da Anvisa nesse sentido” ressalvou.
Questionado se Bolsonaro já tentou de alguma maneira interferir no trabalho da Anvisa, Barra Torres negou categoricamente. “O presidente nunca o fez (tentar influenciar pareceres), nunca fez nenhum tipo de pressão. Ele defende sempre a Anvisa, tem mantido uma conduta ética conosco”, disse.
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