Domingo, 19 de Setembro de 2021
(71) 99663.6360
Esporte Jogos Olímpicos

Emocionado, Ítalo dedica ouro à avó que faleceu em 2019

Dona Mariquinha era xodó do campeão

27/07/2021 08h51
Por: Maryane Meira
Reprodução
Reprodução

Cerca de 11% da delegação brasileira na Olimpíada de Tóquio é nordestina. O número contrasta com as medalhas alcançadas pelo país até esta primeira semana de Jogos na capital japonesa: 40% das medalhas foram conquistadas por nordestinos. A última delas, pelo potiguar Ítalo Ferreira, natural de Baía Formosa, que conquistou o ouro no surfe durante a madrugada desta terça-feira (27).

Após o ouro, Ítalo não conseguiu segurar a emoção. O primeiro campeão olímpico da história do surfe dedicou a medalha para avó, dona Mariquinha, falecida em 2019, meses antes dele conquistar o seu primeiro título mundial e coroar uma história de superação que iniciou com um garotinha surfando em tampas de isopor e portas de geladeira em sua terra natal.

"Eu só queria que minha avó tivesse viva para ela ver isso. Para ver o que eu me tornei, o que consegui fazer por meus pais, por aqueles ao meu redor. Não tenho palavras, só tenho a agradecer. É algo que eu almejei bastante, sonhei. Todo dia orei, pedi a Deus e tá aí, meu nome está escrito na história do surfe", disse Ítalo à TV Globo.

A emoção de Ítalo passou até para o repórter Guilherme Pereira, que embargou a voz enquanto entrevistava o campeão. Ítalo contou que foi ao Japão com um mantra: "diz amém, que o ouro vem".

"Eu vim com uma frase para o Japão: diz amém, que o ouro vem. E veio, né? Eu acreditei até o final, treinei muito nos últimos meses e Deus realizou meus sonhos. Fui para dentro d'água sem pressão, fazendo o que eu amo", contou Ítalo.

Ao UOL Esporte, Ítalo falou em entrevista que concedeu há dois anos que Dona Mariquinha tinha uma frase elaborada para tudo de bom que ele fazia: 'você fez bonito, meu filho', diria a matriarca. De acordo com Ítalo, sempre que vencia algum campeonato, era para ela a quem se referia empolgado para mostrar o feito. Dona de personalidade fechada, a vovó não resistia à empolgação do neto e retribuia com um abraço, um sorriso e a frase célebre. Ítalo pode até ser dono do mundo, mas, antes de todo, é o menino da avó. Com muito orgulho e para sempre.

Na terra natal de Ítalo, Baía Formosa, uma carreata circula pelas ruas desde a confirmação do ouro. A cidade, que tem pouco menos de 10 mil habitantes, está em polvorosa e não ligou para o sono alheio. Ora, um filho da terra é campeão olímpico!

Mãe de Ítalo, Katiane Ferreira era só elogiou e lágrimas durante entrevista que deu à TV Bahia já na manhã desta terça-feira (27). "Ele passou dias aqui para treinar, ficar com a família, entre amigos e [suspiro] quando ele saiu, me deu um abraço e ele trouxe um ouro. Foi mais do que merecido. Ele é um menino especial, humilde, carinhoso e carismático com todo o mundo", contou.

Por coincidência, ou peripécia do destino, as duas medalhas mais 'caras' conquistadas pelo Brasil até aqui vieram de brasileiros praticantes de esportes marginalizados até pouco tempo e de uma região que ainda sofre com problemas como a xenofobia dentro do próprio país: além do ouro de Ítalo Ferreira, na madrugada passada a fadinha maranhense Rayssa Leal foi prata no Skate. É bom respeitar o Nordeste. E todos os esportes. Nunca se sabe quando você pode cruzar com um possível campeão olímpico por aí.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.