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Esporte 8ª vitória seguida

Brasil vence o Peru com facilidade e amplia recorde nas eliminatórias

Brasil tem oito vitórias em oito jogos, uma marca inédita e desafiadora para o futuro; gols brasileiros em São Lourenço da Mata foram de Everton e Neymar

10/09/2021 09h22
Por: Maryane Meira Fonte: CNN
Reprodução
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Oito vitórias em oito jogos. O Brasil venceu o Peru na noite desta quinta (9), por 2×0, e se manteve tranquilo e isolado na liderança das eliminatórias. Se, olhando a tabela, o Brasil já parece confirmado na Copa do Mundo de 2022, a seleção joga, daqui pra frente, por outros dois objetivos distintos: aumentar o recorde de vitórias consecutivas e criar afeto maior com a torcida. Dois desafios que pedem de Tite habilidades distintas.

No duelo contra os peruanos, treinados pelo argentino Ricardo Gareca, os gols, ambos no primeiro tempo, foram de Everton Ribeiro e Neymar. Aos 13, o atacante do PSG roubou a bola de Santamaría, zagueiro peruano, e serviu o meia flamenguista. O segundo gol brasileiro foi no minuto 40. Neymar empurrou para a rede depois de Danilo e Gabigol tramarem jogada pela direita e Everton Ribeiro ter o chute bloqueado.

Derrotado, o Peru, com 9 partidas, está em 7º lugar, com 8 pontos, cinco a menos do que o necessário para jogar a repescagem por uma vaga na Copa do Mundo – hoje é a Colômbia quem ocupa o 5º lugar. Chile e Argentina são seus dois próximos adversários.

Quando se reunir de novo, em outubro, para enfrentar Venezuela e Uruguai, a seleção brasileira estará a um ano de definir a convocação para a Copa do Mundo. Sem os atletas que jogam na Inglaterra e na Rússia, foi possível entender tendências e preferências na lista de Tite, que confia cada vez mais em Everton Ribeiro, deu tempo de jogo para Lucas Paquetá, Gabigol e Vinicius Jr, colocou de vez Bruno Guimarães e Lucas Veríssimo na corrida por uma vaga e finalmente experimentou Gérson no time de cima.

Edenílson, do Inter, e Hulk, do Atlético, convocados após os cortes dos “ingleses”, só entraram nos minutos finais do jogo desta quinta, com a vitória já quase garantida.

O aproveitamento de 100% nas eliminatórias da Copa após oito jogos é inédito. No entanto, deveria ser a nona partida, última do primeiro turno. O duelo contra a Argentina, que aconteceria no último domingo (5), em Itaquera, foi interrompido nos primeiros minutos após a intervenção de funcionários da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Poucas semanas após perder, no Maracanã, a final da Copa América, o Brasil tinha mais do que pontos para somar contra o time de Messi.

O time de Tite se viu, mais uma vez, no centro de um debate do qual o elenco prefere não fazer parte, e não versa só sobre o esporte. A gestão da pandemia de Covid-19 no Brasil, que influenciou inclusive na convocação final, uma vez que jogadores que atuam no futebol inglês foram desconvocados (e a dupla que atua na Rússia, Malcom e Claudinho, também foi liberada), se misturou à agenda futebolística. Antes da Copa América houve suspense para saber o que o elenco pensava do manejo sanitário da competição. Em Itaquera, nem elenco nem Tite se manifestaram com contundência sobre o tema.

Já era polêmica a decisão de abrir parte do estádio corintiano para o público, mediante venda de ingresso, no que foi a primeira vez desde março de 2020 que a cidade de São Paulo recebeu torcedores. Com tudo que envolveu a entrada dos argentinos no país, na qual 4 atletas tiveram fichas preenchidas de maneira irregular, a ocupação da arquibancada se tornou assunto menor. Os quatro argentinos estiveram na Inglaterra, onde trabalham, mas contavam com acordos entre autoridades do futebol para não cumprir o obrigatório período de quarentena.

Como a partida, além de ser contra o maior rival esportivo, também aconteceu na véspera do feriado da independência do Brasil, o debate técnico se misturou ao engajamento patriótico de parte do público. Impedir o drible dos adversários nas normas sanitárias do país representou a redenção e a defesa de uma política que não funcionou adequadamente nos últimos meses. Este evento se tornou o mais discutido de todo o período em que a seleção de Tite esteve reunida. O jogo não tem data para acontecer no futuro, e caberá à Federação Internacional de Futebol (Fifa) decidir se alguma seleção ficará com os pontos.

Ao mesmo tempo, a seleção, dentro de campo, embora colecionando vitórias, fez uma de suas menos consistentes partidas na quinta anterior (2), quando venceu o Chile em território adversário, por 1×0, gol de Everton Ribeiro. Assim, a expectativa por evolução no nível de desempenho fez companhia à curiosidade pela postura do grupo de atletas após o cancelamento do duelo dominical.

No domingo, o que se viu, uma vez cancelado o jogo, foi um treino leve dos brasileiros, peculiarmente transmitido ao vivo enquanto os argentinos se trocavam no vestiário visitante. Nesta quinta, foi possível ver uma seleção com desempenho aceitável, mas ainda longe dos sonhos do torcedor. O Brasil não correu riscos defensivos, marcou com disposição e só não venceu por placar maior porque faltou velocidade e criatividade no ataque. Perto do apito final, Neymar tomou cartão amarelo e está suspenso do jogo contra a Venezuela.

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