Com cartazes, manifestantes protestaram na manhã desta quinta-feira (25) em frente do Pronto Atendimento de Praia do Forte, pedindo por Justiça e saúde de qualidade para aqueles que dependem do SUS. O protesto foi organizado por familiares do pequeno Miquéias Silva Santos de 1 ano e 10 meses, que morreu na última sexta-feira (19), um dia após ser atendido na unidade.
De acordo com a tia de Miquéias, Talita Oliveira, a família pede justiça e um serviço de qualidade para a população que depende do Sistema Único de Saúde. “Queremos Justiça! Não podemos normalizar a morte de meu sobrinho, queremos impedir também que outras pessoas passem pela mesma situação que passamos ao ser atendidos nesta unidade”, ressalta.
O protesto teve início às 11h e os manifestante saíram percorrendo ruas da Vila e chamando atenção com frases de ordem.
Ao final os participantes realizaram um minuto de silêncio na frente do Pronto Atendimento de Praia do Forte.
Entenda o caso
Em contato com o portal Mais Região, Vanusa contou que Miquéias estava com febre e garganta inflamada na terça, foi levado para o Pronto Atendimento de Praia do Forte e foi medicado. Como ele apresentou outros sintomas como falta de apetite e moleza ela retornou no PA do litoral de Mata de São João na quinta.
“Ele comia tudo, frutas, comida e também mamava. Na quarta-feira de madrugada, ele já não estava querendo comer nada e nem mamar. Na quinta-feira pela manhã dei o medicamento novamente, mas ele não se alimentava. À tarde, por volta das 12h eu retornei a PA de Praia do Forte, levei a receita que o médico passou na terça. Na terça-feira (16) o médico tinha receitado azitromicina, kóide D e ibuprofeno. Na quinta-feira, a médica disse que o único remédio que ele poderia passar era benzetacil.
Quando soube da medicação, Vanusa alertou a médica que o filho portador de hidronefrose no rim direito, “Eu perguntei se ele não poderia passar amoxicilina para eu ficar dando a ele. Ainda disse que ele tinha hidronefrose no rim direito e que ele não poderia tomar o benzetacil pois poderia afetar o rim. No posto não tinha benzetacil, mas, ela disse que para meu filho melhorar eu teria que comprar o medicamento na farmácia e levar para ela aplicar. Ela sendo médica, eu confiei. No posto, aplicou a benzetacil e passou um soro com vitamina, pois ele estava ainda mole. Depois, umas 17h fomos pra casa”, relata.
Na sexta-feira (19), após o filho se queixar de dor, Vanusa levou Miquéias a Unidade de Pronto Atendimento de Monte Gordo, em Camaçari. “Cheguei na UPA, falei o que ele tinha, levei as receitas, falei da benzetacil e tudo. No atendimento, passaram medicamento, exame de sangue e deram luftal. Ficamos aguardando levar ele para outra unidade médica. Passamos muito tempo lá aguardando o SAMU, uma ambulância para levar meu filho para um hospital. Meu filho estava nas últimas, mãos geladas, pezinhos gelados, lábios roxos... depois de tanto tempo colocaram na ambulância sem suporte nenhum, meu filho faleceu praticamente na ambulância no colo da tia”, conta emocionada.
Hidronefrose no rim
Miquéias foi diagnosticado com hidronefrose no rim direito quando nasceu e estava sendo acompanhado por especialista do Hospital Irmã Dulce, em Salvador. Segundo Vanusa, ele iria passar por outra avaliação quando completasse 2 anos de idade para saber se precisaria passar por uma cirurgia ou não.
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