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Geral Aprovação em massa

Professores dizem que portaria afetará entrada de baianos no ensino superior

Para educadores, portaria editada pela Secretaria de Educação da Bahia amplia falta de preparo dos estudantes para a faculdade

23/03/2024 09h50 Atualizada há 2 anos atrás
Por: Keila Abreu Fonte: Correio 24 horas
Reprodução/Desconhecida
Reprodução/Desconhecida

A Bahia já amarga a pior porcentagem de estudantes ativos entre 18 e 24 anos no Ensino Superior no Brasil, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), divulgada nesta sexta-feira (22) pelo IBGE. Para educadores do estado, no entanto, não há mal que não possa piorar. Com a portaria estadual 190/2024, que possibilitou que estudantes avançassem mesmo reprovados em disciplinas e com faltas em aulas, os professores acreditam que, sem preparo para progredir no ensino e permanecer no âmbito estudantil, os dados divulgados na pesquisa tendem a ser ainda mais negativos.

Professor na rede estadual de ensino, Josemiran Marques afirma que, ao “maquear” a situação do aluno, a portaria editada pela Secretaria de Educação da Bahia não favorece a chegada dos jovens ao Ensino Superior. "A gente só retém esse aluno para ajudá-lo, para que ele realmente ganhe e crie as condições necessárias para passar para o próximo ano. Sem maquear a realidade do aprendizado", diz.

"A portaria atrapalha e pode contribuir para piorar esse número (do PNADC) que já é negativo. As políticas têm que ser inclusivas, mas elas também têm que ter critérios técnicos objetivos. Tem que ver a realidade de quem está lá no chão da escola. A gente precisa também fazer esse diálogo com a família, mas não aprovar de qualquer jeito", acrescenta ele.

Coordenador da APLB-Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia, Rui Oliveira também acredita que a portaria fará com que menos jovens baianos ingressem nas universidades.

"Ela (a portaria) impacta porque possibilita aprovação automática sem o aluno ter desenvolvido sua autonomia no percurso escolar. Assim, dificilmente, esse aluno terá condições de fazer o Enem de forma qualificada e vai desistir. Por isso, continuamos defendendo a revogação da 190. Estamos à disposição para a construção de um instrumento que de fato possa combater a reprovação, e garanta a permanência com qualidade dos alunos", declara Rui.

Doutora em Educação, Catarina de Almeida Santos corrobora com o discurso de Rui Oliveira e adiciona que a aprovação em massa é um atestado de falha em oferecer educação de qualidade. "O nosso foco tem que ser garantir as condições para que todos os estudantes possam aprender. A lógica da aprovação automática significa que o Estado está admitindo que ele não está garantindo as condições para que os estudantes estejam aprendendo", analisa ela, que é professora da Universidade Federal de Brasília (UnB).

Catarina Santos, assim como os outros educadores, destacam que a escola não tem como objetivo reprovar, mas garantir o processo de ensinar e aprender.

A reportagem procurou a Secretaria de Educação do Estado da Bahia (SEC) para comentar os números do IBGE e responder sobre a possibilidade de piora nos dados com a portaria da aprovação em massa, mas não recebeu retorno da pasta até o fechamento desta reportagem.

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