Nesta quinta-feira (27), o programa É do Povo entrevistou Diego Copque, professor, historiador e pesquisador da história da Bahia. Ele destacou a importância das cidades do Recôncavo Norte, como Mata de São João, Dias d’Àvila, Camaçari e Lauro de Freitas, nas lutas pela Independência da Bahia. Seu trabalho de pesquisa, que durou mais de 20 anos e se tornou o livro 'A presença do Recôncavo Norte da Bahia na consolidação da Independência do Brasil', culminou no reconhecimento destas cidades na rota do Fogo Simbólico desde o ano passado.
Segundo Copque, o resgate e a reparação histórica são fundamentais para corrigir a exclusão desses municípios da narrativa da independência do Brasil. “O 2 de Julho, a consolidação da independência do Brasil na Bahia, foi feita pelo povo e para o povo. Destacamos personagens, personalidades, mas o protagonismo foi do povo, da massa que era negra, indígena e mestiça e nesse caldeirão temos caboclos, pardos, etc.”, afirmou o historiador.
Diego lembrou também da tentativa de apagar a figura do caboclo no primeiro centenário da independência, pois as elites não se sentiam representadas pelo caboclo, que era a mistura do indígena com o negro. Na ocasião, se criou o Hino do Senhor do Bonfim, na tentativa de atribuir à divindade a vitória. "Mas o caboclo é resistência e continua aí. Eles existiram e resistiram", completou.
Para este ano, o tema do acendimento e da passagem do Fogo Simbólico do 2 de Julho para Mata de São João é: Batalhão da Torre e a Casa da Diversidade e Inclusão. A Chama será acesa no município, neste domingo (30), com a saída do Fogo Simbólico às 08h da Praça Amado Bahia. Depois segue para Dias d’Àvila, Camaçari, Lauro de Freitas e Simões Filho, onde haverá a fusão com o fogo vindo de Cachoeira, e depois segue para Pirajá, em Salvador.
Copque falou ainda sobre a importância de locais estratégicos como a Casa da Torre: "Essa região do Recôncavo Norte servia como cinturão de defesa com o objetivo de impedir a invasão do território por outras nações europeias". Ali havia a Milícia da Casa da Torre, que era formada por pessoas que não tinham formação militar, que durante as lutas da independência foram denominados como Batalhão da Casa da Torre. "Esse batalhão era formado por indígenas, caboclos, escravizados, libertos, pardos, por toda a gama da população, por isso o nome Batalhão da Inclusão", explicou.
Outra figura que merece destaque é Ladislau dos Santos Titara, escritor do Hino ao 2 de Julho que completa 200 anos neste ano, e desde 2010 tornou-se o hino oficial do Estado da Bahia. Ladislau nasceu na Feira de Capuame e foi criado em Mata de São João. Sobre o assunto, Copque escreveu um artigo que fala especificamente sobre a história de Titara que pode ser lido neste link.
Por fim, ele ressaltou que a inclusão fortalece a memória e a identidade regional, contribuindo para que a história dessas cidades seja lembrada e celebrada como parte essencial do processo de independência do Brasil.
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