Ações de inteligência das Forças da Segurança da Bahia alcançaram 65 líderes de facções em 2024. O dado foi apresentado na manhã desta segunda-feira (19), durante coletiva no Centro de Operações e Inteligência (COI) da Secretaria da Segurança Pública. Os criminosos localizados possuem envolvimento com tráficos de drogas e armas, homicídios, lavagem de dinheiro, roubo, porte ilegal de arma de fogo e corrupção de menores.
Em um ano de atuação na Bahia, a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) localizou criminosos violentos, dos quais 16 eram líderes de facções que faziam parte do Baralho do Crime. Alguns deles foram mortos durante confrontos. A Ficco é composta pelas polícias Militar, Civil, Federal e Rodoviária Federal e foi criada com o objetivo de aumentar a integração e ações de inteligência para o combate ao crime organizado na Bahia. Ao longo de suas operações, a Ficco realizou ações em oito estados além da Bahia, incluindo São Paulo, Pernambuco, Ceará, Rio de Janeiro, Sergipe, Espírito Santo, Rio Grande do Norte e Alagoas.
Durante esse período, foram apreendidas 40 armas, incluindo três fuzis, além de 463 quilos de drogas, entre maconha e cocaína. No primeiro semestre de 2024, foram realizadas 10.922 prisões, com uma média de 51 prisões por dia.
Os dados foram celebrados por Marcelo Werner, titular da Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA). “A Ficco representa a integração, que é o ponto-chave para o combate ao crime organizado. Ao longo de um ano, nós conseguimos tirar de circulação diversas lideranças criminosas, sendo uma delas alcançada ainda hoje, em Salvador”, afirmou o secretário.
Os esforços empreendidos pela Força Integrada permitiram que integrantes do Baralho do Crime da SSP, que lista os criminosos mais procurados, fossem localizados fora da Bahia. Um exemplo é Fábio dos Santos Nascimento, conhecido como ‘Fabão’ e ‘Jiboia’, que era o “Oito de Espadas” do baralho. Ele foi encontrado e morto durante uma ação policial neste mês, no Guarujá, cidade do litoral de São Paulo. Fábio dos Santos era apontado como líder do tráfico nos bairros de Valéria, Castelo Branco e Vila Canária, em Salvador.
As prisões e mortes de líderes de facção, no entanto, não são suficientes para evitar que a Bahia seja destaque negativo em pesquisas nacionais sobre violência. Neste mês, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) apontou que a Bahia teve o maior número de homicídios intencionais no primeiro semestre entre todos os estados, totalizando 2.087 casos.
O Atlas da Violência, publicado em junho, revelou que as cinco cidades mais violentas do país são baianas: Santo Antônio de Jesus, Jequié, Simões Filho, Camaçari e Juazeiro. As bases de dados das pesquisas incluem boletins de ocorrências e registros de mortes em unidades de saúde.
Questionado sobre as maiores dificuldades para combater o crime organizado e as mortes violentas na Bahia, o secretário Marcelo Werner evitou dar uma resposta direta, comemorou o aumento do efetivo de policiais e cobrou medidas mais duras do sistema judiciário.
“Foram três mil contratações de policiais no ano passado e quatro mil neste ano. Estamos diminuindo a criminalidade, buscando lideranças em outros estados da facção e utilizando a tecnologia a nosso favor. É importante dizer que o fenômeno do crime organizado é nacional, por isso, é essencial que a legislação seja mais dura contra as pessoas que cometem crimes violentos”, declarou Marcelo Werner.
“A Força Integrada não tem preponderância nas operações, mas nasceu para auxiliar na operacionalização do combate ao crime,” explicou o delegado federal Eduardo Badaró, coordenador da Ficco.
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