Após a tentativa de leiloar o prédio colonial do Arquivo Público da Bahia para quitar dívidas com um escritório de arquitetura de Salvador, mais um dos principais locais de preservação da história do Brasil e da Bahia está ameaçado devido à falta de apoio do Governo do Estado.
Localizado na Avenida Joana Angélica, no bairro da Piedade bem no coração de Salvador, o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), que funciona há 130 anos sem interrupções, enfrenta sérias dificuldades para manter seu acervo de livros, jornais raros, mapas e pinturas, que compõem um dos mais importantes do país.
A manutenção deste espaço cultural é uma obrigação do Governo do Estado, conforme previsto na Lei 6575/94, sancionada pelo então governador Antônio Carlos Magalhães. A lei estabelece, em seu primeiro artigo, a inclusão na proposta anual orçamentária do Estado de uma dotação específica para o custeio integral das atividades do IGHB.
Em nota divulgada no site da instituição, a diretoria do IGHB informa que, desde maio deste ano, tem reduzido suas atividades devido à falta de recursos para a manutenção do acervo e do patrimônio. Ainda segundo a nota, o Instituto enviou correspondências ao Governador (sem resposta até o momento) solicitando a revisão da decisão inédita da Secretaria de Cultura (Secult). Os recursos cortados pela Secult representam 85% do custeio das ações do IGHB.
A nota continua:
“Pela primeira vez em décadas, a Secretaria de Cultura do Estado excluiu o IGHB do Programa de Apoio às Ações Continuadas de Instituições Culturais, vinculado ao Fundo de Cultura da Bahia (FCBA). Na decisão, que rebaixou o Instituto à condição de suplente, a Secult alegou desarmonia com a política estadual de cultura.”
Além de disponibilizar seu acervo para consulta pública gratuita, o IGHB abriga um museu e uma das principais revistas científicas do país. O local sempre foi um ponto de referência para pesquisadores como Teodoro Sampaio, Manoel Quirino e Pedro Calmon, e também é responsável pela manutenção do Pavilhão 2 de Julho, no Largo da Lapinha, onde estão os dois principais símbolos da maior festa cívica do país: o Caboclo e a Cabocla.
Membros do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, pesquisadores, historiadores, professores e estudantes podem ficar sem maus um espaço de salvaguarda histórica no estado, caso a decisão não seja revista pelo governador da Bahia.
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