Eterno reggaeman e um das vozes mais marcantes dos anos 2000, eternizada nas canções da banda Natiruts, o cantor e compositor Alexandre Carlo, 50, trilha em 2025 seu caminho pela carreira solo, estreando nesta quarta-feira (19) o single e clipe Sunshine no Youtube e plataformas digitais.
Gravado em Salvador, o audiovisual reforça a conexão do artista com a capital baiana, que ele considera um pólo essencial da música afro-brasileira. Desde 2024, Alexandre já experimenta trabalhos autorais como EP Carlo 50 e o single Deixa Que o Amor Envolve.
Ainda na turnê de despedida da Natiruts, Carlo explica quais serão seus próximos passos na música, anunciando um álbum solo previsto para este ano. Apesar da mudança que promete explorar novos gêneros musicais e formatos, o artista reafirma sua identidade focada na positividade do reggae.
Veja a entrevista completa:
Nesses quase 30 anos com a Natiruts, como se preparou para essa nova fase?
Em 2014, você lançou um disco autoral e, em 2024, retoma o lançamento de trabalhos solo com o EP Carlo 50 e o clipe de Deixa Que o Amor Envolve. Como se deu essa transição para o trabalho solo?
O Quartz, de 2014, foi quase que uma explosão de músicas que não poderiam ser adaptadas ao reggae, mas que estavam querendo sair. Porque, não sei se a galera sabe, mas muitas canções do Natiruts não nasceram como reggae, nasceram em outros estilos, mas, para caber na banda, eu acabava adaptando. Agora, não. O Carlo 50 se chama assim porque fiz 50 anos no ano passado e resolvi lançar essas três canções como uma forma de celebrar. Só que Deixa Que o Amor Envolve a gente mandou para as rádios muito sem pretensão. A música foi lançada em março, quando fiz aniversário. Aí, em abril e maio, mandamos para as rádios e a música começou a tocar para caramba, chegou a ficar em primeiro lugar por alguns meses no Brasil e aí falei: ‘Acho que a galera curtiu, vamos fazer um clipe então’. Chamei o Rafa Costa, fizemos um clipe muito bonito. E aí pensei: ‘Bom, agora minha carreira solo tá lançada, né?’”.
E agora você acaba de lançar o clipe do novo single, Sunshine, que se passa em Salvador.
Meu filho Pedro Alex me apresenta as novidades e, entre elas, curto muito toda a galera do afrobeat. Eu até quis reproduzir o beat ali, só que vou botando minhas coisas. E Salvador tem muito a ver com isso, porque Salvador é afro por natureza e produziu muitas vertentes do que a gente conhece hoje como música afro-brasileira.
Para mim, é surpreendente eu ser tão querido enquanto compositor e o Natiruts enquanto banda em Salvador, porque muita gente boa sai daí. Então, é um prazer muito grande. O fato de gravar em Salvador parte do meu carinho pela cidade, mas as minhas gravações sempre têm um porquê. A do Rio foi porque era meu primeiro trabalho solo, e minha família é do Rio. Então, quis buscar essa ancestralidade. E vim gravar em Salvador porque a cidade é afro. E a música tem o tempero de Salvador.
Na carreira solo, os temas das composições seguirão cantando a positividade?
Eu até gostaria de saber fazer uma letra de protesto como fazem, por exemplo, os Racionais. Da mesma forma, não sei se eles saberiam fazer as letras que eu faço, falando de esperança. Não pretendo e, honestamente, não sei se saberia fazer outra coisa com eficácia. Tem artista que nasceu para divertir, tem artista que nasceu para educar, tem artista que nasceu para fazer as pessoas se sentirem bem no momento ruim, que é o meu caso.
E em relação a gêneros musicais?
A Natiruts ainda não concluiu a agenda dos últimos shows. Como será essa despedida?
A finalização no Brasil ocorre definitivamente no dia 2 de agosto, aqui em Brasília, nossa casa, onde termina, realmente, a caminhada do Natiruts no Brasil. Depois, vamos fazer alguns lugares fora, como Argentina, Chile, Peru, Costa Rica, Portugal.
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