Atualmente, cerca de 135 cardeais com menos de 80 anos possuem direito a voto no conclave. Destes, 108 foram nomeados pelo Papa Francisco, considerado um pontífice de tendências mais progressistas. O conclave deve ocorrer nos próximos 20 dias.
Entre os possíveis nomes cotados para suceder o argentino Jorge Mario Bergoglio, destaca-se Fridolin Ambongo Besungu, cardeal de Kinshasa, capital da República Democrática do Congo, localizada no continente africano. Se eleito ele pode ser o segundo vindo do continente.
O cardeal Fridolin ingressou na ordem dos Capuchinhos em 1981 e, seis anos depois, professou seus votos, tornando-se uma das figuras mais proeminentes da comunidade católica congolesa. Sua representatividade social e suas ações voltadas para a população mais pobre do Congo contrastam com sua postura conservadora em relação a temas como o aborto, a união homoafetiva e a disseminação do cristianismo sem o devido conhecimento das bases filosóficas e teológicas. Além disso, mantém uma posição clara e crítica em relação aos muçulmanos.
Opositor declarado do presidente Félix-Antoine Tshisekedi Tshilombo, o cardeal é também reconhecido no continente como uma forte liderança política, destacando-se nos debates sobre o neocolonialismo, a exploração das riquezas naturais do solo congolês e a preservação ambiental.
Além de Fridolin Ambongo, outros dois nomes africanos figuram entre os possíveis sucessores de Francisco: o cardeal Stephen Brislin, da África do Sul, e o cardeal Robert Sarah, da Guiné.
Mas quem foi primeiro Papa africano da história?
Nascido na atual Tunísia no ano de 155 d.C., o Papa Vítor I foi o 14º pontífice na linha sucessória de São Pedro na história da Igreja Católica Apostólica Romana. Ele foi responsável por autorizar o uso de água potável comum para o batismo, em locais onde não houvesse disponibilidade de água benta.
Outra contribuição significativa de seu papado foi a instituição do domingo como dia sagrado para os cristãos, em memória à ressurreição de Cristo, substituindo a prática anterior de celebração aos sábados. Um de seus decretos também estabeleceu a celebração da Páscoa exclusivamente aos domingos, prática que mais tarde influenciaria as decisões do Concílio de Niceia, em 325 d.C., e que permanece em vigor até os dias atuais.
O papado de Vítor I, iniciado por volta do ano 189, teve duração aproximada de uma década. Acredita-se que ele tenha deixado o cargo em decorrência das perseguições promovidas pelo imperador romano Sétimo Severo, por volta do ano 199, devido à sua oposição à fé cristã.
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