No começo do mês de agosto, um vídeo circulou nas redes sociais mostrando a diretora do Colégio Estadual de Monte Gordo, no litoral de Camaçari, impedindo que estudantes evangélicos se reunissem, no momento do intervalo, para uma oração, prática comum que tem se espalhado pelas escolas do país, conhecida como “Intervalo Bíblico”.
O que mais chama a atenção é que a gestora escolar, identificada como Creonice Campos, aparece nas imagens feitas por um dos jovens tentando proibir a continuidade do momento de oração entre os colegas de escola.
No vídeo que circulou nas redes sociais, a diretora informa aos estudantes do Colégio Estadual de Monte Gordo que não podem se reunir para professar sua fé sem uma autorização prévia da Secretaria de Educação do Estado da Bahia e que, “infelizmente”, os jovens não podem formar “grupos desse tipo”.
“Quando vocês desejarem fazer essa ação, o pastor de vocês solicita, através de um ofício, à Secretaria de Educação, e a Secretaria de Educação libera o espaço para vocês. Caso contrário, isso não é possível.”
Em entrevista exclusiva ao portal Mais Região, o pastor da Assembleia de Deus, Edmarcos Mendes, que é pai de um dos jovens coagidos pela diretora, disse que a atitude não é novidade e que a gestora tem perseguido seu filho, de apenas 17 anos, e outros estudantes evangélicos.
“Eles se reúnem para adorar a Deus, e ela, de uma forma, tentou coibir os alunos de fazerem isso, dizendo que era proibido e que o pastor dessas pessoas tinha que pedir autorização à secretária de Educação. Que absurdo é esse, diretora? Qual é a lei que lhe dá base para isso?”, disse o pastor.
Edmarcos afirmou ainda que os pais dos jovens evangélicos estudantes do colégio estão se reunindo e vão criar um grupo para buscar a garantia dos direitos à livre expressão religiosa junto ao Ministério Público da Bahia.
“Orientados por um pastor que também é advogado e professor de Direito, vamos fazer uma ata, reconhecer firma, criar um conselho e provocar o Ministério Público.”
O pastor publicou em suas redes sociais um vídeo e, entre os comentários, um ex-estudante afirmou que a perseguição a quem expõe um pensamento contrário ao da direção não é de agora.
“Quem estudou no Colégio Estadual de Monte Gordo sabe que essa perseguição é corriqueira e constante contra quem tem pensamento distinto deles”, disse. Ele continuou: “Inaceitável e inadmissível a postura de uma direção escolar a respeito desse assunto.”
Outra jovem, que também foi estudante do Colégio Estadual, expressou sua experiência na unidade escolar e disse que foi um “desprazer” estudar durante um ano sob o comando “deles” — termo que ela usa para se referir à direção.
“Falta empatia, diálogo e respeito com os alunos”, afirmou. E prosseguiu: “Se realmente existir uma ‘lei’ proibindo isso, que ela chame a polícia e a SEDUR para resolver, porque o que estão tentando calar não é a bagunça, é a fé. E isso ninguém tem o direito de impedir.”
Desde o ano de 2023, a Lei nº 14.532 endureceu as penas no Brasil nos casos em que haja ação que caracterize injúria racial ou discriminação. Logo no artigo segundo, o texto estabelece: “Ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro, em razão de raça, cor, etnia ou procedência nacional.”
O texto ainda afirma que “se qualquer dos crimes previstos neste artigo for cometido no contexto de atividades esportivas, religiosas, artísticas ou culturais destinadas ao público, a pena será de dois a cinco anos”.
A reportagem do Mais Região tentou entrar em contato coma diretora do Colégio Estadual de Monte Gordo pelo telefone (71) 3674-1379, buscando um posicionamento da gestora, mas não hove resposta.
Veja o vídeo:
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