A Prefeitura de Camaçari divulgou, na edição do Diário Oficial do último dia 26 de setembro, o Relatório de Gestão Fiscal (RGF) e o Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO), referentes à arrecadação fiscal entre os meses de maio e agosto de 2025.
Entre os números apresentados, chama atenção o peso da folha de pagamento e encargos sociais, que somaram R$ 1,12 bilhão, equivalente a 39% da Receita Corrente Líquida (RCL). Desse valor, somente no mês de agosto, de acordo com o Tribunal de Contas dos Municípios, foram gastos R$ 6.074.301,87 (seis milhões, setenta e quatro mil, trezentos e um reais e oitenta e sete centavos) apenas com cargos comissionados, conhecidos popularmente como “cargos de confiança”.
Segundo a publicação no Diário Oficial, mais de R$ 1 bilhão em royalties e participações especiais do setor de petróleo e gás também foram arrecadados no quadrimestre, representando a maior fatia das receitas, provenientes do polo industrial de Camaçari.
Outro ponto que chama atenção é que, desse montante, R$ 862 milhões foram investidos, segundo o documento, na manutenção de escolas e no transporte escolar. No mesmo período, porém, foram constantes as reclamações de pais e estudantes sobre a falta de organização nas unidades de ensino e sobre a disputa entre empresas de transporte, que acabou deixando vários jovens sem aulas por ausência de ônibus em algumas localidades.
O documento oficial da gestão aponta ainda os repasses constitucionais — o popularmente chamado “dinheiro carimbado” — oriundos do FPM, ICMS, Fundeb, SUS e outras fontes, que somaram R$ 715 milhões. Destaca-se o ICMS repassado pelo Estado da Bahia, responsável por quase 60% das transferências. No entanto, basta ir a um dos postos de saúde para perceber que a falta de medicamentos e de atendimento médico tornou-se constante nos últimos nove meses.
Os impostos municipais (IPTU, ISS e ITIV) somaram apenas R$ 612 milhões. O ISS, cobrado sobre serviços prestados, foi responsável por mais da metade desse valor. Já outras receitas correntes, vindas da cobrança de taxas, contribuições e rendimentos financeiros, alcançaram R$ 263 milhões. Esse cenário deve mudar após o levantamento que está sendo feito pela prefeitura para identificar empresas e residências inadimplentes com o fisco. A expectativa é de aumento nessas cobranças, especialmente do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), a partir de janeiro de 2026.
A cidade ainda se mantém em segundo lugar entre os municípios baianos com maior capacidade de arrecadação própria. Segundo o documento, no último quadrimestre entraram nos cofres públicos a soma de R$ 2,84 bilhões em receitas brutas.
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