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Camaçari “Cárcere privado”

Metalúrgicos de Camaçari acusam BYD de manter funcionários na fábrica após o horário de saída

Júlio Bonfim afirmou que funcionários da montadora aguardaram por horas na porta da fábrica por falta de transporte e classificou o episódio como “cárcere privado”

16/10/2025 22h54 Atualizada há 8 meses atrás
Por: Gabriel Seixas Fonte: Mais Região
Divulgação/ Júlio Bonfim (Metalúrgicos)
Divulgação/ Júlio Bonfim (Metalúrgicos)

O dirigente sindical do Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari, Júlio Bonfim, voltou a criticar duramente a montadora BYD em suas redes sociais na noite desta quinta-feira (16), após denúncias de que centenas de trabalhadores ficaram retidos na portaria da empresa, localizada no Polo Industrial de Camaçari, aguardando transporte após o fim do expediente.

Em um vídeo publicado às 20h40, Bonfim relatou ter recebido mensagens e fotos de funcionários que, segundo ele, “ficaram morfando na frente da fábrica”, mesmo após o término do turno das 18h. “Os trabalhadores da BYD que já são assediados para fazer hora extra, hoje não tiveram transporte. Até agora tinham colaboradores que deveriam ter retornado para casa às 18h, esperando ônibus e fazendo vaquinha para pagar Uber”, denunciou o sindicalista.

Segundo ele, a montadora teria impedido que os ônibus de transporte saíssem no horário regular, mantendo funcionários no local até as 19h — mesmo aqueles que não aceitaram fazer hora extra. “O trabalhador que tinha que ir pra casa às 18h foi travado pela empresa para aguardar o fim da hora extra. Isso é um absurdo. Nem às 18h tinha ônibus, e para piorar, nem às 19h quem ficou na hora extra conseguiu transporte”, afirmou.

Bonfim ainda chamou a situação de “desrespeito” e “cárcere privado”, cobrando uma resposta imediata da direção da empresa e orientando os trabalhadores a não realizarem horas extras até que o caso seja resolvido. “Quem não respeita, não merece ser respeitado. Não devemos fazer hora extra até a empresa tomar vergonha na cara e respeitar seus colaboradores”, disse.

O dirigente também criticou uma proposta recente da BYD para implantação de um segundo turno com apenas 40 minutos de intervalo — medida que, segundo o sindicato, é ilegal por ferir o tempo mínimo de refeição garantido pela CLT. “Essa jornada maluca foi rechaçada. O sindicato não vai aceitar mudanças sem negociação e sem assembleia com os trabalhadores”, afirmou.

O Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari anunciou que, caso a montadora não adote medidas corretivas, poderá convocar um grande ato de protesto em defesa da categoria. “O trabalhador não é escravo, nem máquina. O sindicato vai continuar atento e não aceitará abusos”, completou Bonfim.

Por meio de nota, a BYD informou que um problema logístico de transporte provocou um atraso de cerca de 1 hora na saída dos seus colaboradores da fábrica em Camaçari e que o problema foi resolvido normalizando a jornada de trabalho tanto no setor de produção, quanto no setor administrativo.

“A BYD Auto do Brasil informa que um problema de logística de transporte provocou ontem (16/10) um atraso de cerca de uma hora na saída dos seus trabalhadores da fábrica de Camaçari. O problema foi resolvido e hoje (17/10) a jornada de trabalho da fábrica, tanto para os trabalhadores da produção quanto para o pessoal administrativo, segue em ritmo normal”, disse a nota.

Matéria atualizada nesta sexta-feira (17/10)

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