Três meses após a morte de Gilson Jardas de Jesus Santos, 18 anos, e Luan Henrique Rocha de Souza, 20, durante uma ação da Polícia Militar no loteamento Canto dos Pássaros, em Camaçari, novas informações colocam em dúvida a versão apresentada pelos policiais. Documentos do inquérito, obtidos com exclusividade pela TV Bahia, contradizem pontos centrais do relato da guarnição da 59ª CIPM/Abrantes, que afirmou ter reagido a uma suposta troca de tiros com os jovens.
De acordo com informações do G1, a PM registrou que os dois estariam armados e teriam disparado contra os agentes. No entanto, familiares e moradores contestaram essa versão desde o início, alegando que Gilson e Luan foram executados dentro da casa onde estavam. A investigação reforça essa suspeita: o GPS da viatura mostra que o veículo permaneceu parado em frente ao imóvel por 27 minutos, e a perícia identificou marcas de sangue e perfuração de bala dentro do ambiente, sem qualquer registro de disparos na parte externa.
A piblicação aponta ainda que outro ponto que contradiz a tese de confronto é a ausência de resíduos de pólvora nas mãos dos jovens, além da constatação de que a viatura não tinha marcas de tiros. O perito forense Eduardo Llanos, presidente da Seweell Criminalística, analisou os documentos e afirmou que os vestígios são incompatíveis com troca de tiros. Os próprios ferimentos indicam possível postura de defesa, especialmente no caso de Luan, atingido por um disparo que atravessou o braço e chegou ao coração. O laudo balístico ainda apontou inconsistências entre o projétil encontrado e a arma apresentada pelos policiais.
O Ministério Público da Bahia devolveu o inquérito à Polícia Civil pedindo a reprodução simulada dos fatos, etapa que ainda não foi realizada pelo Departamento de Polícia Técnica. A Secretaria da Segurança Pública afirmou que mortes decorrentes de intervenção policial são apuradas pelas corregedorias e pela Polícia Civil. Já a PM informou que os policiais envolvidos, o subtenente Jomário Prata Gois Santana e os soldados Fábio da Silva Menezes, Reinilson da Silva Brito e Danilo Silva de Santana, seguem afastados das atividades operacionais e recebem acompanhamento psicológico.
Enquanto aguardam a reconstituição e o aprofundamento das investigações, as famílias de Gilson e Luan convivem com medo e dor. Silvânia, mãe de Gilson, diz que não consegue circular pela cidade sem pânico, enquanto Jaimilson, pai de Luan, afirma que busca justiça para que a morte do filho não fique impune. Para ambos, o esclarecimento do caso representa não só um ato de verdade, mas um gesto de consolo diante da perda irreparável.
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