Uma simulação de sequestro para extorquir a própria família resultou na prisão em flagrante de um homem de 29 anos, nesta terça-feira (18), no bairro de Pernambués, em Salvador. O investigado exigia R$ 2 mil de familiares para um falso resgate, alegando estar sob ameaça de morte, enquanto utilizava o período para consumir drogas e realizar apostas em plataformas digitais.
Equipes da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam/Casa da Mulher Brasileira) estavam no bairro para cumprir um mandado de prisão relacionado à violência doméstica, no âmbito da Operação Escudo das Marias. Durante a diligência, com apoio do Departamento de Proteção à Mulher, Cidadania e Pessoas Vulneráveis (DPMCV) e do Departamento Especializado de Investigações Criminais (DEIC), os policiais localizaram o homem em um quarto de hotel.
Após a abordagem, foi constatado que ele não era o alvo do mandado inicialmente buscado, mas sim a pessoa procurada pela Delegacia Especializada Antissequestro (DAS) por um suposto sequestro registrado no último domingo (16). Em entrevista inicial, o homem admitiu que o sequestro nunca ocorreu.
De acordo com as investigações, o investigado perdeu dinheiro ao consumir entorpecentes e realizar apostas online e, sem recursos para deixar o hotel, decidiu arquitetar o falso sequestro. Para simular estar em cativeiro, utilizou o temporizador da câmera do celular para produzir fotos em que aparecia amarrado ou rendido, enviadas para a companheira e a mãe por aplicativo de mensagens, acompanhadas de exigências de pagamento e ameaças fictícias.
Sem obter o valor solicitado, ele deixou o hotel e vendeu o próprio telefone em um centro comercial para receber dinheiro em espécie. Com o valor, hospedou-se em outro estabelecimento, onde permaneceu consumindo drogas e incomunicável, enquanto a família acreditava na situação de risco.
O homem foi autuado por extorsão e por consumo pessoal de drogas. Após a lavratura do auto de prisão em flagrante, foi submetido aos exames de praxe e permanece à disposição da Justiça. A prisão fez parte da Operação Escudo das Marias, que reforça a integração entre unidades da Polícia Civil para a proteção de mulheres, cumprimento de mandados, localização de foragidos e enfrentamento de crimes conexos, incluindo situações com potencial de escalonamento violento no contexto doméstico e familiar.
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