Durante entrevista ao programa É do Povo, transmitido pela rádio Sauípe FM (102,9) na manhã desta quinta-feira (04), o coordenador-geral do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, Montagem e Manutenção Industrial de Camaçari e Região (SINDTICCC), Antônio Ubirajara, o Bira, comentou a manifestação realizada desde terça-feira (2) por trabalhadores da construção civil que atuam nas obras da BYD em Camaçari. O grupo cobra melhorias em condições básicas de trabalho dentro do complexo industrial.
Os operários denunciam ausência de café da manhã adequado — especialmente aos sábados — além da redução de 30% em um benefício antes concedido. Reclamam ainda da distância dos banheiros em relação aos postos de serviço e da precariedade na estrutura de apoio, como refeitório e instalações de descanso. Segundo Bira, o sindicato foi ao local para ouvir as queixas e organizar uma pauta formal de reivindicações.
Ele explicou que o movimento iniciado na terça-feira não havia sido articulado pelo SINDTICCC. “O que está acontecendo aqui é uma coisa que a gente veio hoje para entender, porque aconteceu um movimento aqui de terça-feira (…) que era um movimento desconhecido por nós, enquanto a gente fazia um movimento de reajuste salarial e de cesta básica ali na Fafem”, afirmou. Segundo ele, a partir desta quinta, a diretoria se mobilizou para compreender a situação diretamente com os trabalhadores.
Após reunir informações, Bira disse ter constatado diversas reclamações sobre condições inadequadas dentro do canteiro. “Os trabalhadores estão fazendo diversas reclamações das condições precárias. Com a saída da Ford, aqui ficou um cemitério de empresas, que hoje está renascendo diversos projetos, e a gente vai estar aqui fiscalizando para que os trabalhadores não saiam com prejuízo”, declarou.
O coordenador destacou que o protesto envolve trabalhadores da construção civil contratados por empresas terceirizadas, não empregados diretos da BYD. “Na verdade, os trabalhadores da BYD estão trabalhando e nós não representamos os trabalhadores direto da BYD. Aqui tem parte dos trabalhadores da Construção Civil, que tem uma empresa que não atendeu às necessidades deles e eles revoltaram, paralisaram as suas atividades”, explicou.
Mesmo reconhecendo a importância do empreendimento para a economia local, Bira criticou relatos de condutas consideradas abusivas. “Nós não vamos concordar com empresas que chegam aqui com cultura chinesa de escravizar os trabalhadores, como já foi dito, e a gente ficar assistindo. Esse sindicato é atuante”, disse, reforçando que melhorias salariais e estruturais serão cobradas.
O SINDTICCC afirmou que já estruturou uma pauta para apresentar à empresa responsável e que não permitirá retrocessos nas condições de trabalho. “Tenho certeza que aqui na BYD a gente vai melhorar o salário, vai melhorar as condições de trabalho e não vamos sair daqui sem que leve um prêmio para os trabalhadores”, completou.
Por fim, Bira afirmou que o sindicato permanecerá acompanhando de perto a situação. “Fazer manifestação também é trabalho, porque as condições aqui são muito difíceis. A gente está trazendo água, trazendo tudo para que as coisas se acalmem e a gente possa negociar com maestria”, concluiu.
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