A Acelen, empresa de energia que administra a Refinaria de Mataripe, em São Francisco do Conde, tem acordo encaminhado para assumir os direitos comerciais de nome da Arena Fonte Nova, em Salvador. A informação foi publicada pelo CORREIO nesta segunda-feira (19), após o encerramento do contrato com a Casa de Apostas, que deixou de dar nome ao estádio em decorrência da proibição das apostas de quota fixa no país.
Os primeiros sinais da possível mudança apareceram no domingo (18), durante a partida entre Bahia e Flamengo pelo Campeonato Brasileiro. Os telões da arena exibiram mensagens que anunciavam uma nova fase para o equipamento esportivo, com referências à energia e predominância do azul, cor associada à identidade visual da Acelen. “A Fonte Nova vai vibrar com ainda mais energia. Aguarde”, dizia uma das mensagens.
A campanha também foi divulgada nas redes sociais da Arena Fonte Nova, em uma sequência de três imagens que, reunidas, formavam a estrutura do estádio cortada por feixes de luz azul. A mesma mensagem foi publicada no site oficial do equipamento. Até a divulgação da reportagem, os sinais indicavam o avanço das negociações, mas não havia anúncio oficial dos detalhes do acordo.
A mudança ocorre após o fim do vínculo com a Casa de Apostas. A ruptura foi atribuída à Medida Provisória nº 1.394/2026, editada pelo Governo Federal em 25 de setembro, que proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa em território nacional.
Criada pelo Mubadala Capital, braço de investimentos ligado ao fundo de Abu Dhabi, a Acelen assumiu, em 2021, a antiga Refinaria Landulpho Alves (RLAM), atualmente denominada Refinaria de Mataripe, localizada em São Francisco do Conde. A unidade é considerada a segunda maior refinaria do país. A empresa também tem histórico de atuação no futebol baiano, tendo patrocinado o Esporte Clube Bahia nas temporadas de 2022 e 2023.
A possível entrada da companhia na arena também chama atenção pela ligação com o grupo que controla a Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Bahia. O elo citado na reportagem é o xeque Khaldoon Al Mubarak, que comanda a Mubadala Investment Company e preside o Manchester City e o City Football Group (CFG), conglomerado dono de 90% da SAF tricolor.
O Grupo City já manifestou interesse em assumir a administração da Arena Fonte Nova, atualmente operada por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP). O contrato de concessão tem vigência até 31 de março de 2028.
A negociação dos direitos comerciais de nome, conhecidos como naming rights, não significa, por si só, uma mudança na gestão do estádio. A exploração comercial da marca é independente da administração do equipamento, de modo que uma eventual alteração no controle da operação dependeria de medidas específicas.
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