A disputa para definir o palco da final da Copa do Mundo de 2030 ganhou um novo capítulo de tensão entre os países organizadores.
A Espanha poderá abandonar a organização do torneio caso não consiga garantir o direito de receber a decisão do Mundial. A possibilidade foi levantada por Alberto Núñez Feijóo, candidato à presidência do governo espanhol pelo Partido Popular (PP), nas eleições marcadas para 29 de novembro.
Durante participação no programa de televisão El Chiringuito, na noite de quinta-feira, 5, Feijóo defendeu que a partida decisiva seja realizada em território espanhol e afirmou que não aceitaria uma escolha diferente caso chegasse ao comando do governo.
A declaração foi feita após o político ser questionado sobre a possibilidade de a Espanha deixar a organização da competição caso Marrocos fosse escolhido para sediar a final. A resposta foi direta: “Sim. A resposta é sim”.
Na mesma entrevista, o líder do PP reforçou sua posição sobre a importância de a decisão acontecer na Espanha.
A final da competição deve ser disputada "onde é justo, onde é oportuno, onde é indiscutível: na EspanhaAlberto Núñez Feijóo - candidato à presidência do governo espanhol
Na sexta-feira, 6, Feijóo voltou a abordar o assunto por meio de uma publicação na rede social X. Ao compartilhar o link da entrevista, escreveu: “Recuperar o orgulho do nosso país também passa por não nos deixarmos pisotear por ninguém... A primeira potência internacional no futebol não se humilha”.
Técnico da Espanha defende final da Copa de 2030 no país
A discussão sobre o local da decisão da Copa de 2030 também chegou à seleção espanhola. Nesta sexta-feira, o técnico Luis de la Fuente manifestou novamente sua preferência por uma final disputada na Espanha, mas evitou entrar na polêmica sobre uma possível retirada do país da organização.
Durante entrevista coletiva após anunciar a convocação para os próximos compromissos da Liga das Nações, o treinador declarou: "Na minha opinião, a final deveria ser disputada na Espanha. Continuo repetindo essa opinião".
Questionado sobre as declarações de Alberto Núñez Feijóo, De la Fuente preferiu limitar sua resposta às responsabilidades esportivas da seleção.
“Agora, minha função é, quando chegarmos a esse Mundial, se Deus quiser, preparar a melhor equipe para voltar a ganhá-lo. Todo o resto, que cada um se encarregue do que tem de se encarregar”, acrescentou.
O técnico ainda reforçou que seu objetivo está concentrado na preparação da equipe para a competição: "Nosso trabalho é preparar novamente uma equipe competitiva para ganhar outro Mundial. Até aí posso ir".
Espanha e Marrocos disputam a final da Copa do Mundo de 2030
A Copa do Mundo de 2030 será organizada conjuntamente por Espanha, Portugal e Marrocos. Apesar da parceria entre os três países, existe uma disputa nos bastidores para definir qual deles receberá a partida mais importante do torneio.
Na Espanha, a principal aposta é o estádio Santiago Bernabéu, em Madri, casa do Real Madrid. Já Marrocos trabalha com a construção de uma nova arena em Benslimane, na região de Casablanca, com capacidade prevista para aproximadamente 115 mil espectadores.
O presidente da Federação Real Marroquina de Futebol (FRMF), Fouzi Lekjaa, também entrou na discussão. Em setembro, o dirigente afirmou que a partida de maior interesse da competição será realizada em território marroquino, “quer alguns gostem disso ou não”.
Diante das manifestações dos representantes dos dois países, a Fifa informou, na ocasião, que ainda não havia tomado nenhuma decisão sobre o estádio que receberá a final.
Tensão diplomática entre Espanha e Marrocos aumenta disputa pelo Mundial
A discussão sobre a sede da decisão do Mundial acontece em um momento de desgaste nas relações entre Espanha e Marrocos.
No fim de julho, dezenas de milhares de migrantes tentaram entrar no território espanhol de Ceuta, enclave localizado no norte da África, a partir de Marrocos. O episódio provocou uma crise migratória que, segundo o texto original, ainda não foi totalmente solucionada.
Alberto Núñez Feijóo acusou o governo marroquino de estar por trás da "invasão" e prometeu adotar uma postura de "firmeza" nas relações com o país vizinho caso assuma a presidência do governo espanhol.
O cenário político também aumenta a repercussão das declarações. De acordo com as pesquisas mencionadas no texto original, o Partido Popular lidera as intenções de voto para as eleições legislativas antecipadas de 29 de novembro, à frente dos socialistas do atual chefe do Executivo, Pedro Sánchez.
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