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Por falta de tempo, Luis Argôlo escapa de ter mandato cassado

Pelo regimento da Câmara, não há tempo hábil para que o processo contra Argôlo seja votado em Plenário

04/12/2014 12h39
Por: Redação
Correio

Suspeito de se beneficiar do esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato, o deputado baiano Luiz Argôlo (SD) praticamente escapou de ter o mandato cassado por quebra de decoro. Pelo regimento da Câmara, não há tempo hábil para que o processo contra Argôlo seja votado em Plenário antes do recesso do Congresso, que começa em 19 de dezembro. Tudo porque o relator do recurso do parlamentar à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Valtenir Pereira (Pros-MT), teria que entregar o parecer até ontem, mas não apresentou e nem definiu prazo para que isso ocorra, segundo informou a assessoria de comunicação da CCJ. Pelas normas da Casa, mesmo após a entrega do parecer, ainda cabe pedido de vistas válido por duas sessões. Só depois, a CCJ poderia decidir se envia ou não o pedido de cassação ao Plenário. Ainda assim, seriam necessárias outras duas sessões para, enfim, submeter o processo ao voto aberto dos deputados.

Roteiro previsto Na semana passada, o presidente do Conselho de Ética da Câmara, Ricardo Izar (PSD-SP), havia sinalizado a existência de uma manobra na CCJ para protelar o andamento do processo de cassação contra Luiz Argôlo. Como a legislatura atual acaba em dezembro e Argôlo não foi reeleito, ele deixará de ser problema do Parlamento. Liberado, pode até se candidatar em 2016. Ou, quem sabe, retornar à Câmara, já que é o primeiro suplente da coligação liderada pelo DEM na Bahia.

Efeito colateral Além da blindagem de Luiz Argôlo, flagrado em negociatas com o doleiro Alberto Youssef,   a manobra na CCJ travou a pauta da mais importante comissão da Câmara. Desde 18 de novembro, quando Argôlo entrou com recurso contra a cassação aprovada pelo Conselho de Ética, nada é discutido ou votado na CCJ. Incluindo duas propostas de emenda à Constituição ligadas à reforma política, promessa de campanha da presidente Dilma Rousseff e destaque em seu discurso de vitória.

Alguém falei, não sei quem fui! Presidente do Convention Bureau e do Conselho do Carnaval, Pedro Costa já é tratado como futuro secretário estadual de Turismo por empresários do setor. Embora negue de pé junto a indicação ao cargo, em seguidas conversas com aliados, Costa tem uma dose alta de responsabilidade no surgimento de especulações em torno de seu nome. Ao chegar atrasado em uma reunião do conselho da Associação Brasileira das Agências de Viagem (Abav) na Bahia, sexta-feira passada, usou como justificativa a demora para tratar, com o governador eleito Rui Costa (PT), de assuntos relacionados à própria vida na Setur. Depois, ficou difícil segurar a boataria.

DNA de oposição Integrante da tropa de choque do senador Antonio Carlos Magalhães no Congresso, o ex-deputado baiano Aroldo Cedraz será o próximo presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), órgão que costuma provocar dores de cabeça ao Palácio do Planalto. Ainda mais com a corrupção em alta no noticiário nacional.

Novela repetida A disputa pela presidência da Câmara de Salvador parece cover da eleição para o comando da Assembleia. Assim como o deputado Marcelo Nilo (PDT), que isolou Rosemberg Pinto (PT), o vereador Paulo Câmara (PSDB) também deixou o PTN em sinuca de bico. Ontem, recebeu apoio da bancada petista e pavimentou a pista da reeleição.

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