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Saulo lança "Baiuno" em show online nesta terça

No show, ele apresenta 11 das 13 faixas inéditas do trabalho, além de canções do disco anterior, Saulo ao Vivo.

02/06/2015 11h49
Por: Redação
A tarde  "Eu quero ser mais baiano. Eu quero ter cada vez mais sotaque". É com essa emoção que Saulo avança mais um passo na carreira, homenageando a música enquanto exalta sua baianidade. Na noite desta terça-feira, 2, às 19 horas, o músico lança "Baiuno", seu segundo álbum solo, através do site oficial do projeto (www.baiuno.com.br). No show, ele apresenta 11 das 13 faixas inéditas do trabalho, além de canções do disco anterior, Saulo ao Vivo. Gravado em três etapas - no Sesi Retiro, dentro de um ônibus no percurso Boca do Rio-Ribeira ("A coisa mais baiana do mundo é dar um rolé de buzu e fazer um som", brinca) e na Hora da Criança, em Amaralina -, o show online foi a forma encontrada por Saulo de fazer com que o disco alcançasse mais horizontes. "Eu queria pela internet porque eu consigo falar com todo mundo", diz Saulo. "É uma maneira mais democrática, eu acho". Mais do que um trabalho novo, "Baiuno", que chega às lojas em agosto, resgata a ancestralidade de Saulo, sua relação com a Bahia e com a África. "Eu costumo reafirmar coisas que eu já havia falado", explica. Assim, continuando a poesia do single "Raiz de Todo Bem", o menino de Barreiras declara seu amor pela terra em que vive com ritmos e versos que cantam o estado. Com direção musical de Munir Hossn e Marcelus Leone, o álbum foi, segundo Saulo, "um encontro de músicos". Dez das canções de "Baiuno" contam com participações especiais de artistas brasileiros e africanos. "Esse é um disco de músicos para a música", declara. Nomes como Tó Brandileonem, da banda 5 a Seco, Lau Fernandes, sobrinho de Saulo, e Roberto Mendes integram o time dos convidados, bem como os artistas africanos Júlia Sarr e Ray Lema. Além de conferir pluralidade ao trabalho, o encontro saúda sons e vozes. "No fundo, a gente só quer agradar a música", afirma Saulo. Criança levada "Baiuno" não é invenção de moda nem erro de grafia. Inicialmente, a ideia era fazer referência ao modo pejorativo como baianos, principalmente Caetano Veloso e Gilberto Gil, eram chamados pelo jornal O Pasquim. Lá, "baiunos" eram tidos como bárbaros. Antes da concepção do disco, o termo foi usado na música Sertanejo, em que Saulo dividiu os vocais com Ray Lema, gravada no ano passado para as comemorações do Dia da Consciência Negra. Depois, preparando o disco, encontrou um álbum de Belchior que trazia o termo quase do mesmo modo. "Baihuno", com H, tinha uma faixa homônima que retratava justamente o episódio vivido por Gil e Caetano. Na hora de passar o disco do papel para o som, no entanto, o "Baiuno" de Saulo ganhou outra perspectiva. "Esse disco também é do texto para a música", comenta. "Os textos foram tomando uma conotação infantil: 'Dá tambor pro menino tocar / Ê, menino quer o quê?'", afirma, emendando um trecho da nova música "Tambor Menino". Junto com o disco, nasce um novo sentido para "baiuno". "Eu acho que a gente consegue ainda melhorar as palavras, e eu entendi que 'baiuno' era o universo infantil mesmo", reflete. Assim, o conceito do disco gira em torno da redescoberta do ser infantil, da beleza pura das coisas. Sonoridade de uma terra Violão, saxofone, percussão, sanfona.  Com a ideia de resgatar o olhar puro de uma criança, "Baiuno" traz o carinho de Saulo por Salvador. "Estamos aqui, mais uma vez, falando de Salvador", ressalta. "Essa terra ainda tem poesia, ainda tem um sorvete  de jenipapo na Ribeira". E, com essa crença, o músico segue poetizando a cidade. Sob influência de artistas como Geraldo Azevedo e Alceu Valença, Saulo criou uma estética que se volta, literalmente, para o interior. "Eu também quero ser mais nordestino", afirma. Além da levada do axé music, com melodias animadas e dançantes, Baiuno traz elementos regionais, com faixas que lembram o ritmo do forró, como "Floresça". "Ela é uma cantiga de junho. Se você botar uma sanfona ali, meu Deus do céu...", brinca. Enquanto busca cada vez mais o que é do interior, Saulo reafirma  suas raízes, trazendo a essência do Nordeste para o disco. "Falar com sotaque é muito fundamental", diz. "Eu quero cada vez mais cantar com sotaque". Muitos amores Por outro lado, o novo trabalho do primeiro filho homem de Dona Estela não fica apenas no romance com Salvador. Na melancólica "Outra Vez", que canta com Júlia Sarr, Saulo retorna às emoções simples. Escrita na juventude do músico, a faixa é "uma canção romântica daquelas de meleira mesmo", define o compositor. "Eu estava sentindo falta de encontrar esse amor, essa sensação. E também tem a coisa de que a gente fala muito de alegria, alegria, e ela ["Outra Vez"] fala o contrário: 'faz tempo que eu não vejo o sol'. Ela tem uma carga melancólica". Em contato com a música desde o nascimento, Saulo fez sua primeira apresentação em público aos dez anos. Desde então, nunca largou o microfone. Nem a poesia. "Meu dia a dia é totalmente isso, reconhecer minha pequenez e viver em função da música, realizar sonhos através da música", fala. Desde muito cedo, sua relação com a arte foi de salvação. "A música que me dá esperança. Eu sou literalmente o cara que vive para onde a música diz que eu tenho que ir". (Foto:Reprodução) 
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