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Geral Lorena Dias

Piloto automático

Piloto automático

21/07/2016 14h12
Por: Redação Fonte: Lorena Dias

O celular vibra, enquanto ela estaciona o carro. Desliga o motor, pega a bolsa, atende o celular, bate a porta. Aperta o botão do elevador, desliga o celular. “Será que coloquei o alarme no carro?”. Volta até o carro. Estava trancado. Pega o elevador enquanto mexe no celular.

Entra no banco. Fica em pé na fila, enquanto lista no bloco de notas o que ainda terá que fazer antes que o dia acabe. Sua vez chega. Tira milhares de papéis da bolsa e acha as contas a pagar.

Quando já está de volta ao carro, tenta lembrar se havia guardado a carteira na bolsa. Checa para ter certeza. A carteira está na bolsa, o cartão do banco, por sua vez, ficou no caixa eletrônico.

Essa história não é apenas de uma amiga. É a história de milhares de pessoas, que em meio ao seu acúmulo de atividades, não prestam atenção em nada do que estão fazendo e seguem em piloto automático pela vida.

É assim que um monte de gente esquece onde estacionou o carro ou se ligou o alarme. Perde o celular, esquece o cartão no caixa eletrônico do banco. Pergunta para o seu interlocutor inúmeras vezes sobre “o que ele estava falando mesmo?”, porque não estava concentrado na conversa.

Nós estamos ali, corpo presente. Podemos até estar olhando diretamente nos olhos da pessoa com quem falamos. Mas nossa mente não está lá. Ela está vagando em meio a uma lista de afazeres, preocupações ou desejos de estar em outro lugar.

O primeiro passo para desligar o piloto automático é prestar atenção no que está fazendo e, de preferência, fazer uma atividade por vez. Essa prática, que devia ser um hábito natural de qualquer ser humano, já ganhou até nome bonito por estar tão em desuso. Trata-se do mindfulness, ou “atenção plena”, em tradução livre.

Me deparei recentemente com algumas dicas de como trazer essa prática para o cotidiano, por mais caótico que ele seja, e fiquei impressionada sobre como nós precisamos reaprender a fazer coisas tão simples.

Prestar atenção no que o outro está falando durante uma conversa e no que você pretende dizer. Estar atento ao caminho que você está seguindo enquanto anda. Observar o que está comendo, sentindo os cheiros e sabores do prato à sua frente.

É claro que existem outras técnicas mais elaboradas da prática de mindfulness, mas fiquei refletindo que, se trouxéssemos para as atividades do dia-a-dia pelo menos a essência dessa prática, talvez parássemos de esquecer objetos importantes, evitaríamos mal entendidos e daríamos mais valor às pessoas e tudo que existe ao nosso redor.

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