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Operação Espectro prende dois suspeitos de golpe do falso advogado e bloqueia R$ 3,5 milhões

Mandados de prisão preventiva foram cumpridos em São Paulo; investigação começou após denúncias de moradores de Curaçá, no norte da Bahia, sobre prejuízos financeiros provocados pelo esquema

08/10/2026 23h45
Por: Luana Velloso Fonte: Redação
Foto: Divulgação PCBA
Foto: Divulgação PCBA

Dois suspeitos apontados como principais operadores de um esquema interestadual de fraudes eletrônicas foram presos nesta quinta-feira (8), durante a Operação Espectro, deflagrada pela Polícia Civil da Bahia. A ação investiga o chamado golpe do falso advogado, além de associação criminosa e lavagem de dinheiro. As prisões preventivas de um homem de 30 anos e uma mulher de 25 ocorreram em São Paulo, onde também foram cumpridos três mandados de busca e apreensão.

A Justiça determinou o bloqueio e o sequestro de até R$ 3,5 milhões em contas bancárias dos investigados e de pessoas físicas e jurídicas apontadas como intermediárias na movimentação dos recursos. A medida busca alcançar valores relacionados às fraudes e contribuir para o rastreamento do dinheiro obtido pelo grupo.

As investigações começaram na Delegacia Territorial de Curaçá, no norte da Bahia, depois que três vítimas relataram prejuízos financeiros decorrentes de contatos feitos pelos suspeitos. A partir das denúncias, foi instaurado um inquérito para identificar os responsáveis pelo esquema, os beneficiários dos valores e os articuladores da organização criminosa.

Segundo a Polícia Civil, o grupo atuava de forma estruturada, com divisão de tarefas e uso de técnicas de engenharia social para enganar as vítimas. Para localizar possíveis alvos, os suspeitos utilizavam ferramentas automatizadas de consulta processual que permitiam acessar informações de ações judiciais em andamento, como números de processos, nomes das partes envolvidas, valores de indenizações ou acordos, além de fotografias e dados dos advogados constituídos.

De posse dessas informações, os criminosos entravam em contato com as vítimas por aplicativos de mensagens, passando-se pelos advogados responsáveis pelos processos. Eles afirmavam que havia uma decisão judicial favorável e que a pessoa tinha valores expressivos a receber. Para dar credibilidade à abordagem, encaminhavam documentos falsificados com timbres oficiais do Poder Judiciário, incluindo supostos alvarás de liberação de pagamento.

Na etapa seguinte, outro integrante do grupo se apresentava como o magistrado responsável pelo processo. Por meio de uma chamada de vídeo, alegava que seria necessária uma audiência virtual para liberar os valores e orientava a vítima a compartilhar ou espelhar a tela do celular.

Com acesso visual às informações exibidas no aparelho, os criminosos acompanhavam os aplicativos bancários em tempo real. Em seguida, induziam as vítimas a fazer pagamentos sob a justificativa de quitar um suposto Imposto de Renda antecipado ou de realizar procedimentos para liberar saldos e limites de empréstimos. Em alguns casos, também orientavam as pessoas a desativar mecanismos de segurança dos aplicativos bancários.

As transferências eram feitas via Pix para contas utilizadas como intermediárias, incluindo contas de pessoas apontadas como “laranjas” e empresas de fachada. A estratégia permitia movimentar os recursos obtidos com as fraudes e dificultar o rastreamento dos valores.

A Operação Espectro foi conduzida pela Polícia Civil da Bahia, por meio da Delegacia Territorial de Curaçá, vinculada à 17ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin), em parceria com a Polícia Civil de São Paulo.

O delegado Thiago Souza orientou a população a desconfiar de contatos inesperados sobre processos judiciais e a confirmar informações diretamente com os profissionais envolvidos, por canais oficiais. Ele também alertou que juízes não realizam audiências por WhatsApp para solicitar transferências via Pix e recomendou que as pessoas não compartilhem nem espelhem a tela do celular durante contatos desse tipo.

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