O garoto gordinho que sofria bullying na escola é coagido a convidar a garota mais bela da sala para o baile. Ao contrário do que desejavam os colegas maldosos, a bonita aceita o convite e no dia da festa os dois são consagrados rei e rainha do baile.
Vi essa história no
Facebook e a
página que compartilhou incentivava que a gente observasse os comentários. Curiosa que sou, fui lá olhar. Tinha um monte de depoimento de gente que sofria bullying na escola, principalmente por causa do sobrepeso. E junto com os depoimentos, fotos de "antes e depois", de como agora eles estão mais magros e felizes.
Ao invés de achar esses comentários inspiradores, fiquei um pouco incomodada. Em meio a tantas mensagens de empoderamento que a gente vê hoje em dia sobre a importância de se aceitar como é e perceber o quanto cada um é incrível ao seu modo, ainda existe muita gente que acha que o jeito de combater as ofensas que recebeu é se adequar ao padrão imposto pela sociedade.
Não vi ninguém falando que emagreceu por questão de saúde. Vi pessoas que emagreceram para se sentir bem com a própria imagem. E, ok, não há nada de errado em querer se sentir bem com a própria imagem. Mas a felicidade das pessoas não pode estar atrelada ao fato de se encaixar ou não em um padrão. Nossa felicidade não pode ser baseada no que os outros pensam da gente.
Confesso que ainda acho estranho algumas figuras e determinados comportamentos que destoam dos padrões os quais estou habituada e, até mesmo, faço parte. Mas quando começa a vir uma pontinha de julgamento eu a transformo em admiração, porque não tem coisa mais linda do que gente feliz e satisfeita com quem realmente é, por mais "estranho" ou diferente que essa pessoa seja.
Achei legal a atitude da garota no início da história e também considero vitoriosos todos aqueles que lutaram pela perda de peso e compartilharam seus depoimentos no intuito de inspirar outras pessoas a superar o bullying. Mas, para mim, os melhores comentários foram daqueles que postaram apenas uma foto (sem antes ou depois, apenas com o agora) com frases como "sou feliz como sou".
O que será que dói mais? Ser atingido por comentários maldosos e tentar se encaixar em um padrão imposto ou entender quais são suas fraquezas e ressaltar suas qualidades aceitando quem realmente é? Minha opinião você já sabe: aceita (a si mesmo) que dói menos.