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Perguntar não ofende?

Perguntar não ofende?

05/08/2016 16h39
Por: Redação Fonte: Manoel Jorge

Fiquei ofendido na manhã da quinta-feira do dia 28-07, quando acessando as páginas do Facebook encontrei um vídeo ridicularizando a Educação de Mata de São João. Tive a oportunidade de me manifestar em público, por meio da Rádio Laser FM, afirmei que em tal vídeo se tratava de um escárnio e chacota feita por um comediante, com o objetivo de mostrar as fraquezas do ensino público da Cidade de Mata de São João. 

Houve reações múltiplas de representantes do Executivo Municipal, de vereadores, de lideranças diversas e da comunidade. Esse vídeo feriu a estima dos matenses, pois o comediante formulou perguntas simples, de forma hilária, feitas “à queima-roupa”, a fim de induzir os entrevistados a erros, na medida em que os mesmos demonstravam nervosismo e falta de compromisso com as respostas dadas.

Sabemos que perguntar é o exercício mais primordial do pensamento humano e é a sua essência. Para a Filosofia, a pergunta é muito mais importante do que qualquer resposta. Não foi à toa que o maior mestre do Ocidente, Sócrates, fez da arte de perguntar o seu método (a maiêutica). Sócrates perambulava pelas ruas de Atenas e a todos que encontrava, fazia-lhes perguntas perspicazes sobre tudo. Esse exercício é demonstrado com maestria no Livro O Banquete, de Platão, onde ele mostra um diálogo entre Sócrates e seus discípulos em busca da descoberta de um conceito verdadeiro e universal sobre o Amor (Eros).

No vídeo que me refiro, não é a busca da verdade que está em jogo, pois para tal não cabe o deboche nem a chacota, mas a reflexão. Perguntar é um exercício que quando é usado com segundas intenções, torna-se uma arma que pode levar o interlocutor ao engano. Veja esse exemplo:

Um homem foi pescar em seu barco, passou vários dias em pleno mar. Quando ele retornou da viagem, alguém lhe perguntou:

- O que você pegou?

Ele respondeu:

- O que eu peguei eu larguei e o que eu não peguei eu trouxe.

Veja como essa resposta parece contraditória.

Na verdade, quem fez a pergunta tinha em mente a intenção de saber sobre possíveis peixes que o pescador teria pegado, enquanto o pescador, quando responde à pergunta, se referiu a piolhos. Pois, durante à viagem, ele pegou vários piolhos em sua cabeça, matou-os e jogou-os fora enquanto,  aqueles que ele não conseguiu pegar, trouxe-os em sua cabeça.

Ora, quando o comediante pergunta, maliciosamente, quem descobriu a America? O entrevistado, por inúmeras vezes, ao ter ouvido nas aulas de história a frase: “Foi Pedro Álvares Cabral quem descobriu o Brasil”, então, por indução e emoção do momento, é levado a responder que foi Pedro Álvares Cabral e não Cristovão Colombo, de quem se fala muito pouco nas escolas.

Assim sendo,  posso afirmar categoricamente que “perguntar ofende”, quando a pergunta não tem o objetivo real de buscar a verdade, mas de manipulá-la.

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