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Geral Manoel Jorge

Que crise é essa! Estamos num mato sem cachorro

Manoel Jorge é Bacharel em Filosofia e Pós-graduado em Letras, é diretor sindical da APLB Sindicato de Mata de São João. Escreve às sextas.

12/08/2016 10h24 Atualizada há 10 anos atrás
Por: Redação Fonte: Manoel Jorge

O ano de 2016 está se configurando como um momento histórico muito negativo para toda classe trabalhadora brasileira. Um ano marcado por acontecimentos que estão mudando toda uma trajetória histórica de experiência democrática e de conquistas dos trabalhadores e da sociedade menos privilegiada desse país.

A inflação galopante, as perdas de receitas dos municípios, a politicagem dos congressistas que representam os setores mais conservadores e retrógados da sociedade, o processo de Impeachment (Golpe) instaurado para tirar a presidenta eleita, os casos de corrupção que envolve quase todos os partidos, empresários e políticos, uns presos e uma grande maioria solta e ainda operando (ver as conversas entre Romero Jucá e Sérgio Machado: (https://www.youtube.com/watch?v=vHnVQYDol6c). Toda essa crise tem refletido nos processos de negociações de reajustes salarial em todo país. É um ano de arrocho.

O Governo Dilma se mostrou promissor no que diz respeito à área de educação no Brasil. Os Programas  do Governo Federal estão todos correndo o risco de sofrerem modificações e alguns de desaparecerem, tais como  Plano Nacional da Educação, que estabelece como meta 10% do PIB, O SISU, que já conta com mais de um milhão de inscritos, o Fies que  já beneficiou 1,6 milhões de alunos, o ProUni que garantiram bolsas integrais ou parciais para 1,4 milhões de alunos;  o Pronatec que forma anualmente milhões de estudantes;  o Proinfância, com cerca de 1,6 milhão de crianças sendo atendidas em todo o País;  foram criadas quatro novas universidades federais: Universidade Federal do Cariri (UFCA), no Ceará, Universidade Federal do Sul Sudeste do Pará (Unifesspa), Universidade Federal do Oeste da Bahia (Ufob) e a Universidade Federal do Sul da Bahia (Ufesba); o Programa Ciência Sem Fronteiras já beneficiou 85 mil estudantes, que receberam bolsa para estudar em 40 países. Todos esses programas estão sendo afetados pela crise.

Em Mata de São João, percebemos o peso de toda essa crise desde o mês de fevereiro quando em Assembleia, aderimos a Paralisação Nacional convocada pela CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação) com a seguinte pauta: contra a terceirização; a entrega das escolas às organizações sociais; o parcelamento dos salários; a militarização das escolas publicas. Publicamos uma carta aberta aos matenses, durante o movimento de paralisação que aconteceu em 15, 16 e 17 de março, com 15 reivindicações. Vale lembrar alguns pontos da carta:  auxílio transporte; licença maternidade de 06 meses; 30% de regência de classe; aumento do auxilio alimentação; climatização e ventilação das escolas, etc.

Apesar de toda essa crise, obtivemos algumas conquistas, como o reajuste salarial de 10,64%, garantimos a presença dos assistentes de classe em todas as escolas de ensino infantil, cuidadoras em todas as unidades escolares para alunos com necessidades especiais, a disponibilidade de três psicólogas para atender a rede municipal que foi uma sugestão nossa em 2015. Outros itens de nossa pauta estão em andamento: enquadramento das 40 horas; auxilio para difícil acesso; plano de carreira, eleições direta para diretores nas escolas. Estamos avançando na conquista dos Planos odontológicos e de Saúde. Conseguimos, depois de muita conversa com o Prefeito, a aprovação da lei que permite a realização  dos convênios.

Essa crise afetou fortemente todos os demais servidores públicos do município que não tiverem nenhum tipo de reajuste. Isso nunca tinha ocorrido durante esses quase 12 anos dessa administração. Entre as categorias sem reajuste posso citar os motoristas, o pessoal da saúde, todo pessoal de cargo de confiança, etc. Estão com o mesmo salário do ano passado, com mais de 10% de perdas inflacionárias, ainda considerando que o reajuste do salário mínimo para esse ano foi de 11,57%.

Diante de tudo isso vale perguntar: em que caminho trilhará o futuro das nossas históricas conquistas sociais e da educação brasileira. Muitos bateram palmas desejando a saída da Presidenta eleita, e agora, com certeza, terão que esperar os remédios amargos do “Interino”. Enquanto isso lutemos para garantir o que já conquistamos, pois não podemos esperar que as elites brasileiras, que querem solapá-los, o façam em nosso lugar. 

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