Por: Redação Fonte: Lorena Dias
Uma batata frita média, um hambúrguer com bacon e um refrigerante grande, por favor. Ah! Se puder, acrescenta uma pessoa que seja divertida, inteligente e carinhosa. Não precisa ser assim tão bonita não. Basta ela ser gente boa, gostar de poesia e curtir aquele rock alternativo que eu adoro ouvir. Ah! E rápido! Porque estou com fome. E carente.
Às vezes tenho a sensação de que meu refluxo gastresofágico e a gastrite dos meus amigos têm tudo a ver com o fato de sermos a geração fast food. Não só pelas besteiras com as quais nos alimentamos. Mas por essa ansiedade que nos incentiva a querer tudo muito rápido e faz o nosso estômago doer.
Tenho um amigo que é do tipo que odeia ficar solteiro, gosta de namorar. Mas, ao contrário de muita gente desse tipo, ele não aceita relações de conveniência, aquelas que se baseiam apenas na carência e no medo de ficar sozinho. No momento, ele está solteiro e cansado. Diz que tem preguiça desse processo de se permitir sair com as pessoas, conversar bastante e conhecê-las o suficiente, até descobrir qual delas é aquela com quem ele deseja compartilhar sua felicidade.
Meu amigo tem pressa. No ultimo final de semana, saiu com uma paquera na sexta, outra no sábado e já estava de olho em uma terceira que dizia achar ter muito mais a ver com ele do que as outras duas. Na segunda-feira, ele havia “terminado” com todas as pretendes e estava chateado por ter que seguir na busca. E eu entendo meu amigo. Nesse processo de conhecer pessoas novas até encontrar aquela que combine com você, muita gente estranha aparece. Você também pode acabar gastando tempo, dinheiro e energia com programas que não valem à pena e ficar um pouco frustrado depois de um tempo, achando que a metade da sua laranja já está sendo chupada por outra pessoa.
O excesso de possibilidades é outra questão com a qual nossa geração fast food não sabe lidar direito. Antigamente, quando os romances eram construídos através de cartas que demoravam semanas (ou até mesmo meses) para chegar, não havia tantas opções. Hoje, se o paquerinha visualizou e não respondeu a mensagem, é só ir até a lista de ultimas conversas do celular e partir pra outra. Quer dizer, para quê esperar e se esforçar um pouquinho mais naquela relação se a gente está com pressa e tem tantas pessoas à procura, assim como nós, na distância de apenas um clique?
Dependendo da pressa e da fome, comer fast food de vez em quando não faz mal. Só não dá pra exigir os melhores ingredientes e nutrientes neste tipo de comida. Além disso, geralmente os pratos mais saborosos que vamos provar na vida dão trabalho de fazer ou custam caro. Existem exceções? Sim. Mas precisamos trabalhar baseados na regra. E, para não sofrer com as conseqüências do fast food, o jeito é não ter preguiça de experimentar e arranjar um pouco de paciência pra esperar.
Se você conseguir reduzir um pouco essa ansiedade, de uma coisa tenho certeza: seu estômago agradece.
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