Existem várias formas de amor. Isso todo mundo sabe. Mas não dá para comparar umas com as outras. Isso ninguém consegue entender. A gente insiste em criar fórmulas, se basear em histórias e comparar experiências para definir o que seria ou não o tal do amor.
Nesta semana o ator/escritor Gregório Duvivier se declarou para a ex-namorada no texto “Desculpe o transtorno, preciso falar da Clarice”, em sua coluna para o jornal Folha de S.Paulo. De um lado, milhares de compartilhamentos sobre o romantismo contido no texto. Do outro, “textões” de Facebook acusando a declaração de não passar de uma estratégia de marketing para a divulgação de um filme protagonizado pelo colunista e a cantora/atriz Clarice Falcão.
Entendo a discussão. Primeiro porque não estamos habituados a testemunhar declarações tão maduras endereçadas a ex namoradas. Em segundo lugar, o título do texto de fato remete ao filme, o que deixa quase explícita a intenção de divulgar a obra cinematográfica. Mas o que me incomodou de verdade foram as tentativas de desmerecer a história de amor contada por Gregório.
Uma das críticas que mais atraiu a atenção dos internautas na rede social foi redigida pelo humorista Rafinha Bastos, que também “se desculpou pelo transtorno” e contou a história de amor dele com a esposa, Junia. Para Rafinha, o amor descrito por Gregório (cheio de poesia) nada tinha a ver com o amor verdadeiro, real. No seu “textão”, ele conta de maneira cômica como conheceu a esposa e diz coisas como: “amor de verdade (aquele que dura) não tem poesia… sequer tem trilha sonora”.
Então, “qual é o amor de verdade?”, você se questiona. E eu te respondo: os dois são reais. O que muda é o ponto de vista. O primeiro caso é retratado pelos olhos de um poeta. O outro, através da perspectiva realista e cômica de um humorista. Os dois amores são reais, possíveis, lindos. Mas foram vivenciados e compartilhados por pessoas diferentes.
Um outro ponto que julgo controverso, é achar que amor de verdade é apenas aquele que “dura para sempre”. Não necessariamente. É possível amar uma pessoa por muito tempo e esse sentimento acabar. Assim como não é impossível que você se separe de uma pessoa por quem você ainda sente amor. E não apenas porque você não a superou, mas porque o seu sentimento se transformou em algo diferente, que, ainda assim, leva o nome de amor.
Não há transtorno algum em falar de amor. Ainda mais quando esse sentimento se mostra tão maduro, seja pela gratidão por ter sido capaz de compartilhar momentos importantes com uma pessoa muito amada, ou pela persistência cotidiana de se apaixonar pela mesma pessoa ainda que em meio a tantas adversidades e possibilidades.
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