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Tradição do Caruru “São Cosme e Damião” acontece nesta terça

Caruru, vinho, balas, doces, pipocas, crianças e muita alegria para comemorar o mês de setembro em especial.

26/09/2016 10h23 Atualizada há 10 anos atrás
Por: Redação Fonte: Redação
Tradição do Caruru “São Cosme e Damião” acontece nesta terça

“São Cosme mandou fazer duas camisinha azul. No dia da festa dele, São Cosme quer caruru”. Ganha destaque neste mês de setembro, um dos pratos mais tradicionais da culinária baiana, o caruru em celebração aos santos “São Cosme e Damião”. O dia 27 de setembro, é dia render graças aos santos gêmeos muito populares e queridos entre os baianos.  

Caruru, vinho, balas, doces, pipocas, crianças e muita alegria para comemorar o mês de setembro em especial. “Cosme e Damião” são os Santos mártires da igreja católica e também representados no candomblé pelas divindades iebejis (gêmeos) e pelos erês (crianças).

Além de toda a animação religiosa voltada para a celebração dos santos padroeiros dos médicos e farmacêuticos e protetores das crianças, como diz a música e samba de roda, o tradicional caruru não pode faltar. As vendas no Centro de Abastecimento, em Mata de São João, ficam aquecidas neste período, e os ingredientes mais procurados são o quiabo, castanha, camarão, amendoim, azeite de dendê e os produtos religiosos como imagens e amuletos que fazem referência aos santos.

O “caruru de São Cosme e Damião” ou “caruru de Cosminho” é normalmente ofertado por pessoas que tiveram pedidos alcançados com a intercessão dos santos.  Não faltam relatos de fé e devoção. Assim como não falta casas em que o delicioso caruru seja servido nesta época, principalmente em Mata de São João, onde muitos religiosos mantém a cultura e oferta aos santos. 

Não é difícil também, encontrar quem espera ansioso a chegada do mês de setembro para se deliciar com o caruru dos santos gêmeos. Pode ser para muitos convidados ou apenas para os sete meninos, que representam Cosme, Damião e seus irmãos Dou, Alabá, Crispim, Crispiniano e Talabi.  Antes do dia (27), no dia ou mesmo depois dessa data, dar o caruru de São Cosme e Damião, como se costuma falar, é uma forma de agradecer aos santos, pelos pedidos e ofertas alcançadas.

O “Caruru”, que tem como base o quiabo, azeite de dendê, camarão seco, amendoim e castanha, é preparado de forma especial, entrando, para compor, além de arroz branco, feijão fradinho, feijão preto, vatapá, farofa de dendê e galinha. Acrescentando também dependendo da religião o milho branco, pipoca, banana da terra frita, rapadura, abóbora, inhame, cana, ovo em rodelas, acarajé e abará.  É o famoso caruru de preceito.

Reza a tradição que, antes de ser servida aos convidados, o prato do caruru seja oferecido primeiro aos santos. Depois, é a vez dos sete meninos, que se sentam no chão, em volta de uma toalha. O caruru então é colocado em sete pratinhos ou numa única vasilha, onde as crianças comem, sem-cerimônia, com as mãos, enquanto palmas e músicas rendem graças aos donos da festa. Só depois é a vez dos convidados. Também faz parte da tradição colocar sete quiabos inteiros no preparo. Quem for agraciado com um desses quiabos, fica na obrigação de, no ano seguinte, oferecer a iguaria.

Conheça a História dos Santos Cosme e Damião

Relatos indicam que São Cosme e São Damião nasceram na Arábia, no século III, de pais ricos e cristãos. Estudaram medicina na Síria, exercendo a profissão na Egéia e Ásia Menor, sem receber nenhum pagamento. Aliado aos conhecimentos médicos, também usavam a palavra de Deus para curar os doentes, divulgando, assim, a fé cristã e convertendo os pagãos. O fato despertou a ira do imperador romano Diocleciano, que os mandou prender.  Mesmo forçados a renunciar à sua fé, os dois se mantiveram fiéis, por isso foram mortos.

Muitas versões e lendas cercam a história dos dois santos.  Conta-se que várias formas foram utilizadas para matá-los. Por afogamento, queimaduras, a pedradas.  Como nada surtiu efeito, foram degolados. No Brasil, a devoção aos santos veio com os portugueses, durante a colonização, sendo aqui associada aos cultos afros.

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