Dados da Delegacia Especializada de Combate a Roubo de Cargas (Decarga) apontam para um aumento superior a 30% deste tipo de ocorrência neste ano. De janeiro a setembro deste ano foram 77 roubos nas estradas do interior baiano – no ano passado a Decarga havia registrado 58 ocorrências no mesmo período.
As regiões mais críticas, segundo o delegado-titular Matheus Souza são as regiões do nordeste baiano, na BR-101, próximo ao município de Rio Real – mais precisamente nas proximidades do povoado Loreto. Os dados, no entanto, não chegam a comportar a região metropolitana de Salvador.
Ao norte, a região de Bedengó, entre as BRs 235 e 116 são consideradas as mais perigosas. Já ao sul, a 116 aparece novamente, desta vez, entre os municípios de Vitória da Conquista e Poções, e também nas estradas que levam à Teixeira de Freitas.
Recentemente, a polícia tem registrado também a entrada da região oeste entre Barreiras e Luís Eduardo Magalhães, onde tem crescido os roubos de cargas como fertilizantes e componentes agrícolas.
Compilando os dados próprios com os da Decarga, e da seguradora Pancary, a Polícia Rodoviária Federal (PRF), obteve o número de 130 ocorrências de roubo nas BRs que cortam a Bahia. Os meses com mais registros deste tipo de crime foram junho (21), março (18), julho e setembro (17). Quartas-feiras (39) e quintas-feiras (23) são os dias da semana em que mais há roubo a veículos de carga.
A BR 242, com 50 ocorrências, lidera o ranking das rodovias onde mais ocorrem assaltos, no entanto, o chefe-substituto do Núcleo de Comunicação da PRF-BA, Rafael Freire, faz uma observação.
“O trecho em que os crimes são mais recorrentes fica próximo ao entroncamento com a BR 116, sugerindo que muitos desses registros tiveram origem na 116. BR 324, com 25 ocorrências, e 116, com 26, e 101, com 13, completam os pontos mais delicados”.
Cargas
De forma geral, as cargas mais visadas pelos criminosos são de alimentos variados e eletroeletrônicos. “São produtos de fácil consumo, com receptadores certos, na maioria das vezes, que repassam essas mercadorias aos pequenos comerciantes”, detalhou o delegado.
Nas BRs, 32 ocorrências envolveram o gênero alimentício este ano. No entanto, o chefe da Nucom observa que, nem sempre o objetivo da quadrilha é a carga, sendo frequente também o roubo de pneus e combustível dos veículos.
Segundo Souza, também é difícil quantificar uma faixa de horário mais perigosa para trafegar. A forma de agir dos criminosos também varia, e até fatores geográficos acabam por beneficiar as ações.
“Em Loreto, por exemplo, há um determinado trecho em que o caminhão precisa passar devagar já que é uma subida íngreme. É neste momento que o veículo fica vulnerável, é cercado pelos criminosos, que tomam o veículo, e o encaminham para fora da pista, onde fazem o roubo propriamente dito”, explica o titular. Já nas imediações de Alagoinhas, as plantações de eucalipto costumam ser o ponto escolhido para descarregar as carretas.
De acordo com a PRF, na grande maioria dos casos, os autores agem em grupos com funções definidas. “Na primeira modalidade, ultrapassam o veículo em movimento, forçando-o a parar, utilizando das armas que possuem para intimidar e proferir ameaças ao condutor. Em caso de resistência, não hesitam em usar a violência”, explica Freire.
Outra maneira comum é aproveitar o momento de descanso do motorista em postos de combustíveis. Armado, o grupo quebra a janela do caminhão, rende o condutor, forçando-o a dirigir até uma estrada vicinal. Lá é consumado o crime.
Um dado preocupante confirmado pelas investigações, segundo Matheus Souza, é participação dos próprios caminhoneiros nas ações criminosas. “Em 50% dos casos, o motorista tem algum envolvimento com os roubos. Eles acabam sendo aliciados facilmente pelo grupo criminoso, e cooperam com as ações”, explicou.
Valores perdidos são menores, mais ainda preocupam as autoridades
O prejuízo por conta das ações criminosas também preocupa as autoridades. O delegado-titular da Decarga estima que, apenas este ano, a quantidade de carga roubada seja equivalente a um valor aproximado de R$ 8 milhões. O número ainda é menor, se comparado com os R$ 15 milhões no ano interior.
“Este ano temos efetuado mais prisões do que no ano passado, no entanto, recuperamos menos cargas roubadas do que em 2015, e por isso, estimamos que o prejuízo este ano, tende a ser maior”, avalia o titular.
De acordo com Freire, não é comum realizar o flagrante deste tipo de crime, pois os veículos são levados para lugares distantes e desabitados. Por isso, o trabalho preventivo é mais palpável.
Este ano, foram retiradas de circulação nas rodovias baianas 107 armas de fogo em poder de pessoas suspeitas, que não possuíam autorização para portá-las. Muitos desses suspeitos estavam na iminência de praticar roubos contra usuários das rodovias.
De janeiro até aqui, a PRF também realizou nove operações específicas para o combate a roubo de cargas. “O intuito desse trabalho é alocar servidores especializados no combate ao crime nos pontos vulneráveis, notadamente as rodovias já citadas”, destacou.
A quantidade de pontos vulneráveis, de acordo com Freire, é a maior dificuldade da PRF no combate a esses crimes. “São inúmeros postos de combustíveis em que o crime pode acontecer” finalizou.
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