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Política em Foco Escândalo da JBS:

Aécio Neves pediu R$ 2 milhões a empresário da JBS

O presidente do PSDB afirmou que precisava do valor para pagar despesas com sua defesa na Lava-Jato; o dinheiro, contudo, foi para deputado do PMDB

17/05/2017 20h46 Atualizada há 9 anos atrás
Por: Redação Fonte: Redação
 Aécio Neves pediu R$ 2 milhões a empresário da JBS

A Procuradoria Geral da Repúplica (PGR) recebeu uma gravação de Joesley Batista, dono da JBS, em que o senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB e candidato à Presidência em 2014, pede R$ 2 milhões ao empresário, sob a justificativa de que precisava do valor para pagar despesas com sua defesa na Operação Lava-Jato. A informação foi divulgada na noite desta quarta-feira (17) pelo jornal O Globo.

A gravação, com aproximadamente 30 minutos, mostra o político e o dono da JBS em um hotel de São Paulo. O tucano fala, no vídeo, o nome de Alberto Toron como criminalista que o defenderia – nome que já havia sido citado ao milionário pela irmã do tucano, Andréa Neves.

Sem delongas, o pedido é aceito e o empresário questiona quem seria o responsável por “pegar as malas”: “Se for você a pegar em mãos, vou eu mesmo entregar. Mas, se você mandar alguém de sua confiança, mando alguém da minha confiança”, propôs Joesley.

“Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do caralho”,  respondeu Aécio.

O líder do PSDB, então, indica um primo, Frederico Pacheco de Medeiros, para receber o dinheiro. Fred, como é conhecido, foi diretor da Cemig, nomeado por Aécio, e um dos coordenadores de sua campanha a presidente em 2014. Tocava a área de logística.

Já o intermediador do repasse foi o diretor de Relações Institucionais da JBS, Ricardo Saud, um dos sete delatores. Foram quatro entregas de R$ 500 mil cada uma.

No material que chegou às mãos de Fachin, a PGR diz ter elementos para afirmar que o dinheiro não foi repassado a advogado algum. As filmagens da Polícia Federal mostram que, na verdade, após receber o dinheiro, Fred repassou as malas para Mendherson Souza Lima, secretário parlamentar do senador Zezé Perrella (PMDB-MG).

Mendherson levou de carro a propina para Belo Horizonte, seguido pela PF, e negociou para que os recursos fossem parar na Tapera Participações Empreendimentos Agropecuários, de Gustavo Perrella, filho de Zezé Perrella.

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