O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que não pretende proibir canais de conteúdo político no WhatsApp nas 48 horas que antecedem o segundo turno das eleições de 2026. A declaração foi dada à coluna da jornalista Mônica Bergamo, publicada na Folha de S.Paulo, nesta quarta-feira (21). Segundo o ministro, não haverá mudanças nas regras eleitorais às vésperas da votação.
O ministro declarou: “Não haverá alteração alguma. Não marquei reunião para discutir o assunto nem vou marcar. Sou contra alterações de última hora nas regras, às vésperas da eleição”. Segundo ele, o tema não está previsto na pauta da única sessão do TSE antes da votação e não há pedido para incluí-lo, nem previsão de reunião extraordinária para deliberar sobre a proposta.
A minuta foi elaborada pelo ministro André Mendonça, vice-presidente do TSE, após discussões realizadas nos dias 16 e 20 de outubro. Em nota, o gabinete de Mendonça afirmou que o texto resultou de um entendimento construído em conjunto pelos ministros e que qualquer versão final dependeria de deliberação colegiada. O objetivo discutido era restringir canais de conteúdo político-eleitoral com mais de 200 mil seguidores nas 48 horas anteriores e nas 24 horas posteriores à eleição, sob o argumento de reduzir o risco de circulação de conteúdos ilícitos sem tempo hábil para resposta ou correção.
Entre os canais que poderiam ser atingidos estão o “Exército do Lula”, criado pelo deputado federal André Janones e com mais de 7 milhões de inscritos, e o “Tropa do Flávio”, ligado ao candidato Flávio Bolsonaro, que reúne cerca de 2 milhões de seguidores. A campanha de Flávio já havia apresentado representações ao TSE para pedir a retirada do canal de Janones do ar. A proposta, porém, não será submetida à votação antes do segundo turno, marcado para domingo (25), conforme afirmou Nunes Marques.
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