A quatro dias do segundo turno das eleições presidenciais, Flávio Bolsonaro (PL) registra 45% das intenções de voto, contra 44% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (21). A diferença de um ponto percentual está dentro da margem de erro de dois pontos para mais ou para menos, o que caracteriza empate técnico entre os candidatos. O levantamento foi contratado pelo jornal O Globo e pela TV Globo e ouviu 2.154 eleitores em todas as regiões do país.
Na comparação com a pesquisa anterior, divulgada em 14 de outubro, Flávio oscilou de 46% para 45%, enquanto Lula manteve os 44%. Os eleitores que pretendem votar em branco ou nulo, ou afirmam que não irão votar, representam 9% do total. Já o percentual de indecisos passou de 1% para 2%. Considerando apenas os votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos, Flávio aparece com 50,56%, e Lula, com 49,44%.
Na pesquisa espontânea, em que os entrevistados respondem sem receber previamente uma lista com os nomes dos candidatos, os dois aparecem com 40% cada. O principal movimento nessa modalidade foi o aumento dos indecisos, que passaram de 7% para 14% em uma semana. O indicador ajuda a avaliar o grau de definição das escolhas eleitorais na reta final da campanha.
O crescimento dos indecisos também foi registrado em segmentos específicos do eleitorado. Entre as mulheres, o percentual subiu de 8% para 17%. Entre os eleitores independentes, passou de 13% para 31%. Já entre os beneficiários do Bolsa Família, aumentou de 7% para 19%.
A rodada foi realizada após uma sequência de acontecimentos relevantes na campanha, incluindo o debate entre os presidenciáveis na TV Band, as entrevistas concedidas à TV Globo e a promulgação da medida relacionada ao fim da escala de trabalho 6x1, pauta defendida por Lula. Desde então, as campanhas intensificaram mobilizações nas ruas e nas redes sociais para conquistar votos na reta final.
Outro tema que ganhou espaço nos últimos dias foi a disputa de narrativas sobre o Bolsa Família. A campanha de Lula passou a afirmar que uma eventual vitória de Flávio poderia colocar o programa social em risco, com base em declarações de Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha do senador. Segundo a reportagem que divulgou a pesquisa, porém, o período de entrevistas não captou integralmente o aumento dessas declarações, que se intensificaram na terça-feira (20).
O debate da Band também repercutiu negativamente entre as campanhas, que passaram a rever estratégias e a postura dos candidatos para o encontro previsto na TV Globo, na sexta-feira (23). Pesquisas qualitativas realizadas pelas equipes indicaram que parte dos eleitores desaprovou o desempenho dos dois presidenciáveis no primeiro confronto.
A Quaest também avaliou a percepção dos brasileiros sobre o governo Lula. De acordo com o levantamento, 47% desaprovam a gestão, enquanto 46% a aprovam. Como a diferença é de apenas um ponto percentual e está dentro da margem de erro, os índices também configuram empate técnico.
Na comparação com a pesquisa de 14 de outubro, a aprovação oscilou positivamente de 45% para 46%, enquanto a desaprovação recuou de 48% para 47%. O percentual de entrevistados que não souberam ou não quiseram responder permaneceu em 7%. Na pesquisa realizada às vésperas do primeiro turno, a desaprovação do governo havia chegado a 49%.
O levantamento foi realizado entre os dias 17 e 20 de outubro, com 2.154 pessoas com 16 anos ou mais. A pesquisa tem nível de confiança de 95%, margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e registro na Justiça Eleitoral sob o protocolo BR-08535/2026.
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