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Política em Foco Política

Prisão de Geddel deixa em alerta aliados de Michel Temer

Geddel foi detido preventivamente pela Polícia Federal, na tarde desta segunda-feira (3), em Salvador

04/07/2017 09h58 Atualizada há 9 anos atrás
Por: Redação Fonte: Diário de Pernambuco
Prisão de Geddel deixa em alerta aliados de Michel Temer
A prisão do ex-ministro Geddel Vieira Lima  trouxe mais problemas ao governo em uma semana que já não seria fácil. O presidente Michel Temer precisa apostar todas as fichas na relação com a base governista na Câmara para derrubar a denúncia de corrupção passiva apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). 

Com a possibilidade de o procurador-geral, Rodrigo Janot, apresentar outra denúncia hoje ao Supremo Tribunal Federal (STF), e com parte dos deputados receosos em assumir um compromisso público com o Planalto, a prisão de um dos homens que, até pouco tempo atrás, estava na “cozinha” de Temer pode ser o motivo que alguns precisavam para autorizar a investigação contra o presidente.

Geddel foi detido preventivamente pela Polícia Federal, na tarde desta segunda-feira (3), em Salvador, acusado de obstrução de Justiça nas apurações da Operação Cui Bono?, expressão que significa “A quem interessa?”. Desdobramento da Operação Sépsis, a investigação foca em irregularidades na Caixa Econômica Federal cometidas na época em que o peemedebista era vice-presidente de Pessoa Jurídica do banco. Com Geddel, passam a ser cinco os presos preventivos na operação: os ex-presidentes da Câmara, Eduardo Cunha e Henrique Eduardo Alves, o doleiro Lúcio Funaro e André Luiz de Souza.

De acordo com a decisão do juiz federal da 10ª Vara, Vallisney de Oliveira, o político baiano tem agido para evitar que o deputado cassado Eduardo Cunha e o doleiro Lúcio Funaro fechem acordo de colaboração premiada. Em depoimento à Justiça, Funaro citou mensagens e ligações para sua esposa que o ex-ministro teria feito. Ele entregou imagens da tela do celular para comprová-las. Com o codinome “carainho”, Geddel sondava a mulher de Funaro sobre a disposição dele em fechar delação com o Ministério Público Federal (MPF). O advogado de defesa do ex-ministro, Gamil Föppel, afirma que o peemedebista foi “injustamente enredado no bojo da Operação Cui Bono?” e que “deposita sua integridade física nas mãos da autoridade policial”.

Sem relação

Ao saber da prisão, aliados do presidente rapidamente se mobilizaram para afastar a situação de Geddel do trâmite da denúncia contra Temer. Líder do governo no Congresso, o deputado André Moura (PSC-SE) reconhece que é algo que traz instabilidade, mas afirma que não há qualquer relação com a peça que será apreciada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) a partir desta semana (leia mais na página 3). “Não há nenhum tipo de conexão da prisão com a denúncia. A prisão é por conta de uma suposta tentativa de obstrução à Justiça. Espero que os membros da CCJ analisem a acusação em si, que tenham, acima de tudo, responsabilidade com país e com o momento que estamos vivendo (...) Não podemos permitir que esses fatores externos possam ser utilizados na CCJ na tentativa de trazer mais discussão”, comenta.

Entretanto, o descolamento dos fatos não será fácil. Por mais que esteja fora do governo desde novembro do ano passado (leia memória), Geddel é um dos principais aliados de Michel Temer e um dos pilares da sua carreira política, ao lado de Eliseu Padilha, ministro-chefe da Casa Civil, e de Moreira Franco, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência. O político baiano, aliás, é citado por Joesley Batista, um dos donos do grupo J&F, na gravação com Temer que originou a denúncia em análise na CCJ. No diálogo, Joesley comenta que perdeu o contato com Geddel porque ele virou investigado e o presidente o alerta que é “perigosíssima a situação”, porque isso poderia ser considerado obstrução de Justiça.

Em outro trecho, Joesley fala que vinha se comunicando com o presidente por meio de Geddel, mas, como não era mais possível, pergunta quem seria a outra pessoa. É quando Temer indica o deputado Rodrigo Rocha Loures para o contato. Flagrado carregando uma mala com R$ 500 mil que seria para o presidente, Loures foi solto no sábado.

Para o deputado Julio Delgado, (PSB-MG), a detenção de mais um homem do “núcleo duro” de Michel Temer corrobora a tese apresentada por Rodrigo Janot na denúncia. “É claro que agrava o quadro do presidente. Demonstra claramente todo o esquema montado para interferir nas investigações e evitar delações premiadas”, diz. “A situação está extremamente deteriorada. O governo terá de gastar muita energia para poder equilibrar o jogo. Ele está ficando sem aliados para defendê-lo”, comenta um integrante da base que prefere não se identificar.

O cientista político do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj) Geraldo Tadeu Monteiro concorda que a situação se complica. “O governo está sendo acossado por todos os lados. E, na Câmara, é um julgamento político, não é jurídico.”


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