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Justiça condena mulher de Sérgio Cabral a 18 anos de prisão

A ex-primeira dama continuará cumprindo prisão domiciliar, sem acesso à celulares ou à internet, conforme prevê a justiça

22/09/2017 10h27 Atualizada há 9 anos atrás
Por: Redação Fonte: Uol
Justiça condena mulher de Sérgio Cabral a 18 anos de prisão

Adriana Ancelmo, mulher de Sérgio Cabral (PMDB - RJ) e ex-primeira dama do Rio de Janeiro, foi condenada a 18 anos e três meses de prisão pelos crimes de lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. Na sentença, expedida nesta quinta, 21, pelo juiz Marcelo Bretas,da 7ª Vara Criminal Federal do Rio, foi apontado que Adriana era “mentora” ao lado de seu marido e ex-governador e “usufruiu como poucas pessoas no mundo os prazeres e excentricidades que o dinheiro pode proporcionar”, disse na decisão. No entanto, a ex-primeira dama continuará cumprindo prisão domiciliar, sem acesso à celulares ou à internet, conforme prevê a justiça.

"Adriana Ancelmo, companheira de Sergio Cabral, integrou o núcleo financeiro-operacional da organização, seja através da aquisição dissimulada de joias de alto valor, amplamente comprovada nos autos, seja através de seu escritório, Ancelmo Advogados, valendo-se clássica modalidade de celebração de contratos fictícios", afirmou o juiz. Segundo o magistrado, a movimentação de propinas com o envolvimento de Adriana Ancelmo chegou a R$ 7 milhões.

Segundo Bretas, empresas de consultoria e de advocacia chefiadas por Adriana foram usadas para lavar R$ 2,4 milhões por meio de contratos fictícios com a empresa Reginaves e R$ 2,5 milhões com o hotel Portobello Resort. "A arquitetura criminosa montada na intimidade de seu escritório de advocacia era de muito difícil detecção, e não por acaso durante muitos anos esta condenada logrou evitar fossem tais esquemas criminosos descobertos e reprimidos”, diz o trecho da decisão.

O juiz também afirma que a ex-primeira dama carioca ajudou a acobertar cerca de R$ 6,5 milhões em joias e outros R$ 1,5 milhão que foram gastos em despesas pessoais. “Ao lado de seu marido, usufruiu como poucas pessoas no mundo os prazeres e excentricidades que o dinheiro pode proporcionar, quase sempre a partir dos recebimentos que recebeu por contratos fraudulentos celebrados por seu escritório de advocacia, com o fim de propiciar que a organização criminosa que integrava promovesse a lavagem de capitais que, em sua origem, era fruto de negócios espúrios”, afirmou o magistrado.

Juntas, as construtoras Andrade Gutierrez e Carioca Engenharia teriam repassado R$ 30 milhões em propinas, referentes à reforma do estádio do Maracanã para a Copa do Mundo de 2014 e à construção do Arco Metropolitano em troca de aditivos em contratos públicos e incentivos fiscais. Parte desse dinheiro foi usado por Adriana em viagens, aquisição de joias na joalheria H.Stern onde tinha atendimento diferenciado e também roupas de grife.

Em outro trecho da sentença, Bretas afirma que a culpabilidade de Adriana é “extrema”: “Parece óbvio que a tarefa a cargo desta condenada era da maior relevância, seja pela função de promover a lavagem de dinheiro seja pelo seu relacionamento íntimo com o mentor dessa organização criminosa, e por isso a sua culpabilidade é extrema”, disse o juiz.

O magistrado destacou que o “comportamento criminoso” de Adriana deve ser “responsável pela excepcional crise econômica vivenciada por este estado”, disse referindo-se à situação calamitosa do Rio de Janeiro. Além disso, criticou a ex-primeira dama como profissional, pois “negativas são também as consequências dos crimes de lavagem de dinheiro pelos quais Adriana Ancelmo foi condenada, sobretudo pela mensagem depreciativa que passa ao mundo, associando a imagem deste Estado a práticas hodiernamente repudiadas no mundo civilizado. Seu comportamento vergonhoso tem ainda o potencial de macular a imagem da advocacia nacional, posto que sua atividade e sua estrutura profissional foram utilizadas nesta pratica criminosa”.

Sérgio Cabral foi condenado na mesma sentença a 45 anos e dois meses de prisão, pelos mesmos crimes de Adriana e também por corrupção passiva. Foi a segunda vez que o peemedebista foi condenado, a primeira foi pelo juiz Sergio Moro, no âmbito da Operação Lava-Jato. Na época, Adriana foi absolvida por falta de provas.

Defesa

O advogado de Adriana Ancelmo, Renato de Moraes, afirmou que vai recorrer da decisão. "A sentença condenatória, no ver da defesa, é divorciada das provas colhidas, traduzindo-se em injustiça. Será apresentado recurso ao Tribunal, que analisará novamente os fatos e o acervo probatório, e, sem dúvida, reformará a decisão", disse a defesa em nota oficial.

Já a defesa de Sérgio Cabral ataca o juiz Marcelo Bretas, afirmando que o magistrado “não tem imparcialidade para julgar nenhuma causa do ex-governador” e critica que "a sentença agride a lógica, o bom senso e a prova produzida nos autos. Passou a ser urgente que o Tribunal decida sobre a arguição de suspeição que fizemos contra o juiz Marcelo Bretas e o afaste, o quanto antes, da presidência dos trabalhos”.

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